The Glass Ballerina: não há muito a se dizer a respeito desse segundo episódio da terceira temporada de Lost. Em termos de revelações, choques e expectativas, ele ficou bem abaixo do primeiro. Mas tem grande importância e trouxe lá suas curiosidades, também.
A propósito, quem não viu o episódio ainda pode ler sem problemas. Foi tudo tão tranqüilo que nem mesmo há spoilers.
Depois de nos centrarmos nos prisioneiros Jack, Kate e Sawyer, é a vez de mostrar outro grupo, o de Sayid, Sun e Jin no barco. E os flashbacks cabem à coreana, que quebra uma estatueta de vidro (daí o título) quando criança e põe a culpa na empregada. As cenas seguintes falam de como se desenrolou sua traição ao marido Jin, que começou em flashbacks de capítulos anteriores. Mas a recordação começa e termina com "queda e quebra", certo? De quem é a culpa e quem leva a culpa?
O texto principal é o de que Sun é muito diferente do que suponhamos que ela seja. Ainda que aparente delicadeza, submissão e toda aquela imagem da fragilidade, ela esconde uma personalidade bem mais complexa, agressiva e até bem sacana, capaz de fazer muita coisa errada. Então, a grande intenção do episódio é dar essa dica, mas cada espectador fica com uma noção diferente de quem é a coreana, e só assistindo mesmo pra entender por onde passa sua personalidade. Os produtores e a própria Yunjin Kim avisaram antes...
Há um subtexto misterioso do qual não dá pra concluir nada: Ben não imagina como os sobreviventes possam ter um barco (o de Desmond). Onde então ficou Kelvin Inman nessa história? E o próprio Desmond? A propósito, o nome completo de Ben é revelado - mais uma vez, sem causar alarde nenhum. Ele é Benjamin Linus, diz que viveu sua vida inteira na ilha e mantém mesmo contato com o mundo exterior, como já era sabido (pelo menos até 29 de novembro de 2004, data em que se passa o episódio).
Talvez o máximo de "segredo" que haja no episódio seja uma nova aparição dos números em flashback. Quando Jin confronta Jae, o amante de Sun (a confrontação tem outros motivos), dá pra ver que o quarto de hotel do careca é o 1516. Ou seja, o quarto em que Sun traía Jin, onde ela pode ter concebido seu bebê (questão ainda em aberto) e que "levou" à fuga do casal para os EUA - tudo bastante determinante - tem relação direta com os números.
Claro que, pra quem está mais preocupado com as questões mundanas imediatistas (e francamente bestas, no contexto), rola um beijo que vinha sendo esperado. Mas as intenções por trás dele não ficam muito claras - as mesmas pessoas preocupadas com bobagens podem "ter certeza" de que sim, mas não, não são claras.
Foi mais como um episódio "de carreira", e não um "greatest hit". Mas interlúdios assim são necessários pra que a grande história se desenvolva, apesar dos protestos dos fãs que não compreendem essa necessidade. Para a semana que vem, é esperado o enfoque a outro grupo, o dos acampados na praia. E onde está Hurley nesse meio-tempo?
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Um amigo "convertido a Lost" me avisou nesse fim de semana que a revista Cebolinha de setembro (não lembro o número) trouxe a Turma da Mônica fazendo uma paródia da série.
Como estamos no começo de outubro e, segundo ele, a revista saiu bem no fim do mês, você ainda deve encontrar por aí. Dá uma folheada, é a primeira história. Tudo escuro, a cena do olho, um bocado de neura e a bobeira de costume (a começar do péssimo nome "Losti"). Mas pelo menos o final é engraçado, quando eles descobrem onde estão.
Dizem que, como sempre, o Mauricio de Sousa tem um álbum maior em produção, abordando mais abertamente a trama de Lost (cujo final ninguém conhece, nem ele). Aí, deixa de ser "bonitinho" e "curioso" pra virar o oportunismo habitual do empresário.
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Michael Ausiello, o cara do TV Guide que sempre está por dentro de segredos e tramas ainda não filmadas das séries, adiantou trecho de uma filmagem de Lost. Vai primeiro o texto dele em inglês e depois os breves comentários a respeito. Ele não diz, mas adianto que quem vai ter esse sonho na série é Locke:
Charlie and Claire are getting married. Kinda. As revealed in this week's issue of TV Guide (a must-have for Josh Holloway fans), the Oct. 11 episode will feature an airport dream sequence in which Hurley is an Oceanic flight attendant, Desmond's the pilot, and Charlie and Claire are husband and wife. The sequence may also include a special appearance by someone who's no longer a full-time employee of the show.
Pois bem, sonhos nunca devem ser interpretados literalmente, por mais literais que eles pareçam a quem sonhou. Lembra de Twin Peaks? Como ninguém sabe do que se trata essa mistura que Locke fez em sua cabeça, cabe uma tentativa de interpretar. Uma tentativa!
Tudo o que eu vou escrever aqui embaixo é mero ensaio de especulação embasado em coisas que já existem, então, fique avisado.
- Hurley como empregado da Oceanic Airlines: posto em linhas gerais de interpretação, isso me faz crer que Hurley é um cara prestativo, uma ajuda constante. Mas, ao mesmo tempo, ele pode servir (sem intenção, dada a primeira parte) a um interesse "maligno", seja a Oceanic ou a Fundação Hanso, uma vez que ele já tinha contato direto com os números. A cabeça de gente mais ou menos normal feito a gente costuma simplificar as coisas em sonhos, então "maligno" seria a palavra certa. Teríamos então uma representação para "Hurley tem servido o povo sacana esse tempo todo sem saber".
- Se Desmond é o piloto do avião, não apenas ele também é um "empregado do demônio" como tem uma participação-chave, já que ele está "no comando". Isso significa não apenas um contato bastante estreito com o lado ruim, mas, vendo por outro lado, pode significar que ele seria o pivô de algo grande, como o resgate dos sobreviventes. Ligando-o aos Widmore (representantes do "lado mau"), aos esforços para encontrar a ilha (que partem de gente ligada a Desmond e mais a nenhum outro ilhado) e ao fato de Desmond ter chegado à ilha por meios que não o acidente de avião (ele não estava nos mesmos "planos originais"), Desmond poderia ser o futuro responsável indireto pela salvação de todos graças às suas ligações no passado.
- Charlie e Claire como marido e mulher: sinceramente, não sei como interpretar isso... Talvez haja laços maiores entre eles do que poderíamos supôr até agora. Será que Aaron "nasceu errado" e era pra ter sido filho de Charlie? O que já foi especulado lá fora (por conta de um episódio no fim da segunda temporada com o flashback de Ana-Lucia) é que Jack e Claire poderiam ser irmãos. Vai ver que Charlie e Claire é que seriam irmãos, razão pela qual se conectaram fácil daquele jeito, depois brigaram e voltaram às boas, mas nunca foram muito fundo na relação.
- Finalmente, além do conteúdo do sonho em si, talvez seja importante perguntar por que isso foi sonhado justamente por Locke (e não por qualquer outro personagem) e com qual finalidade ele teve esse sonho específico (e não qualquer outro sonho). Locke já demonstrou antes que costuma ter umas premonições atenuadas e projetadas pouco tempo no futuro. Buscando responder às duas coisas ao mesmo tempo, digamos que o fato de esse sonho ter partido de quem partiu, então, não é assim tanta novidade. Reafirmando minhas suspeitas anteriores, eu diria que é a "programação" dele que o leva a isso (essa coisa de "programação" dos personagens ainda vai se revelar, pode apostar), e não um dom sobrenatural ou um "contato com o divino" por força de sua fé.
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Vão aí algumas fotos selecionadas da tal festa na praia de Honolulu, que marcou a estréia da terceira temporada há algumas semanas. De novo, minhas reverências a Emilie De Ravin (primeira foto).
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Acho que as Lostícias devem diminuir um pouco depois desta agora. Afinal, já existe uma Lostpedia em português (ainda que capenga, como todo conteúdo da internet adaptado à nossa língua por quem não a conhece) e os pontos "curiosos" que a gente poderia apontar já vêm sendo abordados por lá. Sem falar que, mesmo em português, tem muito neguinho bem mais à-tôa e tarado pela série do que eu...
Vendo a capa do primeiro número de DC: A Nova Fronteira, pensei logo na Era de Ouro dos quadrinhos. Mas essa história caprichada, editada em dois volumes (meio salgados) pela Panini no Brasil, trata muito mais da transição entre esta e a Era de Prata, ou seja, aquele terreno freqüentemente nebuloso não apenas no universo próprio dos quadrinhos, mas também no nosso, em termos de compreensibilidade pelo leitor.
A obra de Darwyn Cooke (roteiro e desenhos) veio para fazer a ponte entre as Eras, explicando o lapso para o leitor da maneira mais exaustiva possível. Mesmo tendo chegado desavisado ao material, depositei nessa premissa uma ótima perspectiva. Infelizmente, onde talvez se esperasse uma transição "heróica", resultou um conjunto bem mais "burocrático" de explicações sobre as transformações políticas, sociais e científicas daquela época, cheias de discussões sobre ideais e motivações, com pitadas ocasionais de heroísmo. A extensa história nem mesmo pode ser descrita como "uma aventura". Está mais para o lado documental, episódico, em que fragmentos do mundo são narrados ao mesmo tempo e mostram-se muito mais interligados do que se supunha. Tudo isso converge para, finalmente, formar a Era de Prata.
Ainda que a tal perspectiva não se tenha cumprido à altura, a emenda de Cooke se saiu muito bem arquitetada. O autor deixa claro o ocaso de uma certa "veia de pensamento" reinante na Era de Ouro e depois constrói as circunstâncias para que uma nova forma de encarar as coisas (em especial, as "coisas super-heroísticas") tenha possibilitado o surgimento da Era de Prata. A noção de começo, meio e fim da história é um pouco tênue, mas se mostra mais claramente quando avançamos na leitura. O ponto de partida é justamente a "aposentadoria" da Sociedade da Justiça, e a última cena sugere justamente a criação da Liga da Justiça como sucessora naquele legado.
Nessa transição, muitas origens que já conhecíamos são recontadas (algumas com detalhes nunca vistos, outras em apenas uma página, mantendo a lenda intocada) e conexões muito atraentes entre os personagens são feitas com alguma naturalidade, à moda de Six Degrees of Separation ou Lost. Nesse campo das conexões, Cooke se mostra tão criativo que chega a confundir, no bom sentido. Elas são excelentes, muito bem formuladas e amarradas, a ponto que ficamos pensando na viabilidade daquilo tudo, na quantidade de coincidências, como se o mundo (ou os EUA) fosse bem menor do que é.
Contribuem os desenhos saudosistas que quase sempre resgatam fielmente o visual, a época e as verdades de cada personagem - como o feminismo e o pacifismo de uma Mulher-Maravilha desenhada à antiga, com bermudão colante em vez de biquíni; o Batman misterioso e orelhudo de Bob Kane, que depois muda de visual e arruma um parceiro; o Super-Homem, com escudo preto e "desviando o olhar" durante a Guerra do Vietnã, também passa por transformações de visão e comportamento à medida que o mundo muda em volta dele. O conjunto de roteiro e desenhos se mostra perfeito para caracterizar a mudança dos tempos e as mudanças algo inexplicáveis que os leitores de quadrinhos presenciaram naqueles tempos.
Entretanto, um outro lado do trabalho de Cooke deixa bastante a desejar. Por exemplo, o leitor que não está plenamente familiarizado com os conceitos das Eras e em como elas se delimitam terá grande dificuldade em contextualizar trechos da história e em identificar o que marca o começo e o fim da narrativa. Vai parecer tudo muito solto, como um recorte ao acaso. Recomenda-se, portanto, que o leitor tenha, no mínimo, muita curiosidade a respeito dessa transição, mas é mesmo necessário grande conhecimento prévio.
Outro ponto fraco é que, em vez de se centrar em personagens individuais, A Nova Fronteira parece não ter alternativa a não ser distribuir sua atenção pelo Universo DC como um todo, esmiuçando a transição com explicações em excesso e carência de ação em boa parte do material. E, quando a ação pesada finalmente acontece... ela não se explica em quase nada! Um ser-ilha "aparece" como responsável por determinadas perturbações, dão pra esse ser o nome de "Centro" e tudo começa a acontecer sem que saibamos de onde veio aquela linha narrativa.
A série, então, acaba sofrendo, ainda que em muito menor grau, do mesmo pecado daqueles álbuns gigantes elaborados por Alex Ross e Paul Dini (com Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Capitão Marvel, Liga): muito discurso e pouca evolução, o que torna a narrativa bastante chata em alguns momentos (ainda que infinitamente mais interessante que as bobagens "construtivas" de Paul Dini).
A ausência de um fio condutor que unificaria a história acaba sendo um certo problema também. A origem do Lanterna Verde Hal Jordan pode ser tomada como uma referência genérica, mas nunca chega a centralizar, apenas a balizar. Muitos outros fatos simultâneos acontecem sem uma ligação necessária com o personagem. Tudo isso é mostrado como numa abrangente linha do tempo em que realmente só o tempo é comum a tudo.
A propósito, uma complicação final aparece em decorrência dessa linha do tempo. Convenhamos, representa bem pouco para a história, mas é enorme para a DC: temos a criação de um novo lapso inexplicável no tempo "real", ligando origens datadas (por circunstâncias e arte) aos dias de hoje. É coisa pouca, sim, mas vamos dar um exemplo significativo: como Hal Jordan pode ter lutado na Guerra da Coréia por volta dos 28 anos e ter a aparência de uns 35 na continuidade atual?
Verdade seja dita, Cooke busca a economia. Suas explicações são excessivas, é verdade, mas tudo leva a crer que não haveria outra forma de descrever a transição. É possível perceber certo esforço em não cansar o leitor, uma vez que o autor muda constantemente o foco da história, dentro daquele mesmo esquema de não trazer um único fio condutor. Vira um jogo de compensações: enquanto a carga explicativa e a ausência de ação efetiva são indispensáveis para que se entenda o grande processo de mudança de mentalidade entre as Eras, Cooke está consciente disso e tenta picar a narrativa em momentos-chave.
Para velhos conhecedores de DC, Cooke dá nova luz ao conturbado histórico da editora e às raízes de alguns personagens centrais de hoje. É claro que uma visão mais detalhada e mastigada daquele período como um todo tomaria mais uns cinco volumes como os atuais, o que torna A Nova Fronteira uma narrativa um pouco confusa para o pessoal de primeira viagem. Mas o autor fez suas amarras com categoria e cumpriu a promessa de ajudar a pôr ordem na casa - o que ganha ainda maior importância agora em 2006, quando cinco ou seis "Crises" seguidas propõem uma nova reformulação do universo DC. Mesmo que as novas explicações convençam e entretenham, não dá pra afirmar se serão "oficiais" por muito tempo - ou se já são hoje...
Bom, eu não estou exatamente na primeira fila. Não entendo chongas de carro ou mesmo da velha linha de brinquedos - tive uma carretinha, um jato e um Bumblebee genérico sem nunca saber os nomes nem nada deles. Mas quero ver como vai se sair esse filme dos Transformers que vem dando notícia dia a dia, ah, se quero.
O que me chamou a atenção no assunto foi que a Citroën teve muito a manha de soltar uma propaganda-transformer pouco tempo antes de o filme dos robozões ficar pronto, enquanto o fogo está esquentando. Além de um comercial excepcional do modelo C4, criou um interesse dobrado no lançamento de seu carro, e só posso acreditar que foi uma espécie de "estratégia conjunta", sem coincidências.
Eu não vejo TV aberta e não sei se está passando por lá, mas na TV a cabo passa direto a versão reduzida dessa propaganda (que começa na música). Pra quem ainda não pôde se deleitar, aí vai a versão completa dela, com quase um minuto e o "bichinho" se alongando antes de destruir no break:
Pro pessoal que está no aguardo ansioso do filme, um prato cheio. Transformers, pra mim, faz parte do mesmo rol de O Senhor dos Anéis (não li, mas vi), Star Trek (nunca vi), animês em geral e alguns outros poucos assuntos nerds que eu não conheço bem, mas dos quais sou simpatizante à distância.
A música que o carro dança é Jacques Your Body, de um cara que atende como Les Rythmes Digitales - nascido em Paris, mas na prática um inglês. O disco que contém essa faixa é o Darkdancer.
Pra quem tiver mais interesse no carro que na incrível propaganda acima, leia a respeito de especificações e demais dados do Citroën C4 na Wikipedia.
Agora, você sabia que há outra do mesmo gênero? Não sei que fera da animação 3D fez isso, mas é uma paródia da propaganda do Citroën, com um outro transformer bem mais desengonçado e low-tech. Veja aí:
Aparentemente, em mais um exemplo de sua infindável carreira de cagadas, o canal FX vai impedir o espectador de assistir ao final da excelente série The Office sem qualquer justificativa.
O canal vem anunciando a estréia de Brotherhood no horário que seria de My Name is Earl (cuja primeira temporada acabou no Brasil há pouco tempo). Só que Brotherhood tem uma hora por episódio, ou seja, The Office ficou desalojada. E o mais interessante disso tudo: resolveram estrear a série nova justamente no dia em que seria exibido o último capítulo da temporada de The Office!
A programação online do canal está uma bagunça, como sempre, nem adianta olhar lá. As reprises de segunda à noite também não constam da grade. O melhor que dá pra especular é que The Office será exibida também no domingo, mas às 6h30 da tarde - um horário em que a série nunca esteve e que não foi anunciado no canal. Com isso, você ia perder de qualquer jeito o último capítulo da série premiada com o Emmy por puro desrespeito do canal para com seus espectadores.
Para conhecimento geral: o tal episódio final se chama "Casino Night". Michael resolve transformar o depósito (embaixo do escritório) em um cassino com fins beneficentes, enquanto Jim leva adiante sua decisão de se transferir para outra filial da Dundler-Mifflin.
Espalhe a notícia o quanto antes para aqueles que você sabe que são fãs. Ou, caso eu esteja por fora de alguma coisa (canal e site não anunciaram, isso é certo!), mande um email no endereço aí ao lado, que eu agradeço muito!
UPDATE (15 out 2006, 19h30): não apenas aconteceu exatamente o que está descrito acima como o capítulo final trouxe algo que todo mundo queria ver e não vai ver. O FX ainda teve a capacidade de, durante o episódio, sobrepôr caracteres enormes com o escrito "Vem aí: The Office". E a tradicional legendagem repugnante do canal traduziu Carol como "Cabul", entre outras maravilhas.
Quer assistir ao capítulo final da segunda temporada de The Office que o FX não deixou você ver? Pegue o torrent e tente baixar o AVI pro seu micro, é o único jeito! Em tempo: já é realmente a segunda temporada. A primeira teve apenas meia-dúzia de episódios, e as duas foram exibidas numa só tacada.

Sí, sí! Enfim, ha llegado el tan grandiosso día para nosotros. El Trece de Lo Otubro es lo Día Internacional de Hablarse Portuñol en todas sus bariedads! Es una oportunidad uñica para ejercitar el sagrado portuñol de cada día sin quedarnos pertubados por los puristas de la leingua. Y el unico día en que el Omelet podría tener razón en su inzistência por el ridiculo término "estadunidense" en un sitio de tan alta calidad.
De antecipación, vengo a pedir mil escussas por el uso indebido de la tarjeta arriba. Olvido-me del lugar que la pegué en mis caminadas por la internê... Me gustaria darlo el credito debido a el autor, pero no me recuerdo quien es. Gracias, hermano blorrero! (Uuh! Uuh! Mi recuerdo ahora! Mira la propuesta orihinal en el sitio que ha creado el día!)
En homenaje a el portuñol, vamonos a escribir subre algun asunto aleatorio, una bobaje cualquier de tecnolorría, por ejemplo. Tu já biste los nuevos Aipôds? Para quien no los conoce, esto es la pronuncia portuñola del iPod, empetreplêier de conocimiento general. Los nuevos modelitos merecem nuestra atención. Manos a la obra.
Abajo, es el Aipôd con frentera de alluminio, muy guapo, sin duda. Me gustó mucho! Pero la Áple ha lanzado un modello más reciente, en edición llimitada, con la frentera toda roja, y ello es una trombada de carretóns que hace dolor en los ojos. Mira, mira a los dós laro-a-laro:
Solo lo digo: cartón rojo para el nuevo Aipôd color de maquidônal, mismo que en edición llimitada. Caminar con uno de estos en lo buelso es como el Hombre-Murciego caminar con el Robito al su lado para que atraja toda la atención de los balazos! No, muy llamativo, muy banderosso!
Es piena que el día para el libre ejercicio del portuñol es solamente uno. Quien sabe ainda hacemos un blôg solamiente de portuñol para que la diversión no se quiede jamás? Jajajaja, no me creas. pwn3d1!
Finalmente, uma nova Serial Frila no ar. A coluna de agora pode ser considerada um intervalo; estou escrevendo sobre as estréias no Brasil e nos EUA, terminando o Breve Manual, vol. 3 (veja lá os dois primeiros) e ainda temos engatilhadas duas outras colunas de temática variada. Enquanto isso, eu me rendo às colunas fáceis cheias de YouTube e vou atrás de trechinhos memoráveis contendo seqüências de séries, curiosidades, clipes, clássicos do gênero e por aí. Mas pouca coisa...
Leia em: EuTubo. CeTuba?
Era umas 3h ou 3h30 da madrugada de sábado pra domingo quando eu liguei a TV muito por acaso, antes de dormir. Nessa hora e nesse dia - conselho adiantado para notívagos - quase não há o que se ver, mesmo na TV a cabo. Um único programa vale a pena: as reprises seguidas do bloco [adult swim], os desenhos adultos do Cartoon Network.
Ontem, eu resolvi dar uma verificada na programação do bloco, que eu já não acompanho faz tempo, em grande parte por causa do excesso de repetições dos mesmos desenhos over and over and over. Peguei no começo um desenho que eu nunca tinha visto, chamado Welcome to Eltingville. Naquele momento, tudo valeu a pena: ligar por acaso, dormir um pouquinho depois, rolar de rir mesmo com a cabeça rodando...
Eltingville, na verdade, foi feito como piloto para uma série, mas acabou virando uma "edição especial", um one-shot, como se diz das edições de um só número. O desenho nasceu como adaptação de uma série em quadrinhos (ganhadora do Prêmio Eisner) chamada The Eltingville Club, que era parte da revista Dork!, criação de Evan Dorkin.
A história acompanha quatro amigos que formam um clube na cidadezinha de Eltingville, um subúrbio verdadeiro de Nova Iorque. São eles Bill (o presidente nerd especializado em quadrinhos), Josh (o secretário nerd obeso para assuntos sci-fi), Pete (o secretário nerd para terror, trash e tosqueiras afins) e Jerry (o secretário nerd do RPG e mestre dos jogos). Notou o traço em comum? O desenho é uma reciclagem sem fim de inutilidades da cultura pop, venham elas de cinema, quadrinhos, ficção científica, outros desenhos animados, bobagens cult, videogames, séries de TV, "sabedoria" de almanaques pop em geral e da própria cultura do nerdismo.
O tal episódio único ganhou o nome de "Bring me the Head of Boba Fett". Bill e Josh disputam um boneco do Boba Fett que chegou na loja de quadrinhos preferida do grupo, freqüentada por "aquele" pessoal esquisito de costume e gerida por um sujeito sempre pronto a explorar descaradamente a nerdice alheia.
Quem identifica algo do título já pode saber que vai gostar do desenho. Boba Fett foi um personagem obscuro da Trilogia Clássica de Star Wars, cultuado durante muito tempo, até que George Lucas correspondeu ao culto e o trouxe para um relativo primeiro plano na "Trilogia Vagabunda".
Como nenhum dos amigos tem grana (acontece na maioria das histórias nerds), eles tentam decidir quem vai ter o direito de comprar o boneco num duelo de cultura inútil. Só que Dorkin sabe mesmo escrever um duelo desses, e com isso cria um verdadeiro tesouro para apreciadores! O tal boneco (perdão, action figure), por exemplo, existe mesmo, foi lançado em 1980 e é um item raríssimo para os colecionadores reais - ou seja, "é um collectible e não um brinquedo", como eles sempre dizem.
Também a loja de quadrinhos, os diálogos, a caracterização dos personagens e até os cenários aparecem sempre recheados de informações verdadeiras, porém inúteis, do mundo pop. Quer mais? Se todas essas referências não bastam, saiba que as piadas são excelentes e podem ser muito bem entendidas para além do exclusivo universo geek. Dizem que os quadrinhos originais de Dorkin eram até mais azedos que a sátira do desenho. E a música-tema ainda berra "Não há nada de errado com a gente! / NÃO HÁ NADA DE ERRADO COM A GENTE!".
Li por aí que, por alguma razão, o Cartoon Network já exibiu esse episódio único no Brasil mais de uma vez. A notícia ruim é que esse piloto é de 2002, e até hoje não se soube de qualquer iniciativa para transformá-lo numa série. Nada mais de Welcome to Eltingville foi produzido, o que é uma vergonha. Na internet, todas as referências que encontrei ao desenho (sem pesquisar muito a fundo) foram extremamente positivas. Mesmo que os "verdadeiros" nerds não saibam rir de si mesmos, acabam rindo de Eltingville assim mesmo por identificar os colegas...
Felizmente, nós aqui do PopStöria ("nós" significa eu e os gnomos da redação e as vozes na minha cabeça) podemos fazer mais do que informar isso tudo. Oferecemos ao leitor o piloto inteiro em duas modalidades. Primeiro, se você dispõe de um cliente eMule e quer baixar o AVI, pode clicar aqui. Se quiser assistir no seu navegador, o YouTube traz o episódio dividido em três partes e em inglês.
- Parte 1
- Parte 2
- Parte 3
Um conselho: sabe inglês? Gosta de desenho? Adora essas mesmas bobagens? Então assista djá!
Primeiro, claro, vamos à aguardada reestréia de Lost na TV americana.
A grande mancha preta abaixo está carregada de spoilers (informações adiantadas que podem estragar a sua surpresa), mas não vou perder tempo fazendo resumos. Pra isso, assista ao próprio episódio (por exemplo, com esse torrent) e depois leia em inglês aqui ou em português aqui. Preferi escrever só "annotations", ou seja, comentários, conclusões e curiosidades a respeito do episódio.
Em caso de não querer estragar sua surpresa, é só saltar esse pedaço entre as duas imagens centralizadas. Se quiser ler, marque com o mouse.

- O mais claro: o nome do falso Henry Gale é Ben. A partir de agora, ele será só Ben - vamos falar dele com o nome dele, né? E o cara realmente é o líder daquele grupo, por alguma razão.
- Pra quem adorou a cena de abertura de "The Other 48 Days", com a cauda do avião caindo aos pedaços na água (uns 99% dos espectadores, no mínimo), a seqüência de abertura desse episódio de agora é talvez ainda mais impactante. A câmera gira, mostra o avião se partindo sobre a ilha, do ponto de vista da comunidade, e fecha nos pedaços se desprendendo. Uma cena realmente incrível.
- Não há literalmente nada no episódio sobre os outros sobreviventes que conhecemos. Nada sobre o estado de Eko, Locke ou Desmond, ou sobre as investigações paralelas de Sayid, Sun e Jin, ou sobre o destino de Michael e Walt (graças a Deus...). Também não parece haver referência alguma aos números - não dá pra ver direito, mas parece que o pager de Jack marca 7-15-22. O máximo de mistério escondido nesse tipo de coisa parecem ser algumas das respostas nas palavras-cruzadas ao lado do pager: "necessary evils", "vital statistics", "pre-natal" e... "heroes".
- O título "A Tale of Two Cities" (nome de um romance de Dickens) provavelmente se refere às "duas caras" da cidade d'Os Outros. De um lado, acredita-se que eles vivam num acampamento vagabundo e sejam selvagens; de outro, pela primeira vez, é mostrada a verdade: eles vivem numa "imitação da vida", uma perfeita cidadezinha civilizada, e o episódio começa a contar essa história (tale) direito.
- Apesar de a comunidade d'Os Outros ser apenas uma clareira incrustada no meio daquela mata da ilha, os habitantes - extremamente civilizados e em contato com o mundo real - têm eletricidade e água encanada. Se a Iniciativa Dharma não deu certo há anos, se Mittelwerk estava no poder da Fundação Hanso em 2004, se Os Outros têm dossiês completos das vidas dos sobreviventes, como aquela cidade é mantida e como trava contato com o mundo?
- O episódio começa de maneira muito parecida com o primeiro da segunda temporada, a começar do velho "olho de abertura". Uma pessoa, não-identificada até certo momento, se levanta e prepara o café, enquanto põe um disco pra tocar. Antes, era Desmond na escotilha Swan ouvindo Mama Cass Elliot; agora, é Juliet em sua casinha na comunidade ouvindo Petula Clark, e a música se chama Downtown. Aliás, em tudo quanto é canto, o nome da bonitona aparece como "Juliet" (soaria como "Djúli-a"), mas soou pra mim claramente como "Juliette" ("Djulié-t"). Detalhe besta...
- A letra da música fala de como você pode esquecer seus problemas, encontrar companhia e mergulhar em outro mundo quando vai para o centro da cidade. Juliet, olhando no espelho, reage à palavra "downtown" com a expressão facial de quem diz "que saudade de uma cidade de verdade!", ou então "seria tão mais fácil se eu vivesse como nessa letra...". Uma curiosidade estranha: a contra-capa do CD que você vê no episódio está aí ao lado. Mas ponha o mouse sobre ela pra saber que CD é esse.
- O livro em discussão é Carrie, A Estranha, de Stephen King. O escritor é fã da série e seu nome já foi mencionado por Ben na segunda temporada. Na verdade, Ben - líder e aparentemente muito erudito - não gosta da literatura popular de King ("não usaria o livro nem pra ler no banheiro", segundo o cara chamado Adam). Se quiser conferir a capa, veja a figura no meio dessa página aqui.
- Apareceu a aguardada escotilha subaquática. O nome dela é Hydra, conforme apontavam as especulações dos fãs. Só não se sabe em que parte da ilha ela fica, mas tudo indica que foi construída como uma casamata, com saída para a parte de cima. O nome é mais uma referência à mitologia grega (Apollo, Penelope, Persephone, etc).
- Ethan e Goodwin faziam parte desse mesmo grupo mostrado no episódio, e foram designados para se infiltrar entre os possíveis sobreviventes enquanto as partes do avião ainda caíam. Duas perguntas cruciais nesse ponto: por que diabos Ben iria supôr que haveria sobreviventes num desastre aéreo horroroso daquele? Ele deve saber de tanta coisa desconhecida pra nós que é melhor nem tentarmos supôr quem ele é ou por quê ele saiba isso. E aquela comunidade está ali pra esperar justamente possíveis acidentes ou coisa assim, e manipular ilhados, náufragos ou quem mais aparecer? A pergunta procede não apenas porque a reação de Ben é fria e imediata, mas também é inexplicável a compreensão de todos a respeito do que deve ser feito.
- Nunca os indícios de condicionamento foram tão gritantes quanto neste episódio.
. Sawyer, em sua jaula (uma caixa de Skinner gigante), age como um ratinho que "aprende" a ter água e comida. Se ela não foi construída para humanos, pra quê os símbolos de garfo e faca? O carinha mais novo que o ajuda tem tudo para estar ali como parte de uma encenação, assim como nosso velho conhecido que dá uma prensa no garoto. Afinal, como o menino abriria o cadeado de Sawyer só de passar a mão em cima? E que papo é esse de "corre pra lá, que eu vou correr pra cá"?
. Enquanto isso, Jack tem de cumprir um certo ritual para conseguir sua comida e é induzido repetidamente a confiar em sua carcereira. De forma semelhante à fuga de Sawyer, a inundação do porão de Jack pareceu bem arranjada; abrir uma escotilha que estivesse submersa mesmo iria arrasar tudo ali quase instantaneamente - mas o cara está preso, acossado e com medo, e nem teria como perceber isso. Não é à tôa que os produtores anunciaram antes que a personagem de Elizabeth Mitchell e Jack teriam um envolvimento. Tudo indica que isso vá acontecer, seja arranjado ou não. Quer melhor jeito de mexer com a cabeça do cara do que fazê-lo se apaixonar, e ainda mais pelo "inimigo"?
. E Kate é deixada com mais liberdade, como diriam, "pra ver que bicho dá". Acredito que qualquer movimento em falso contra Ben seria imediatamente reprimido por dezenas de Outros escondidos ali em volta. Chegando perto, ela teve de pôr algemas, porque a coisa ficaria mais perigosa (e Kate sabe uma coisinha ou duas de como dar porrada). Depois de ser bem tratada e de agir com civilidade, ela também vai pra uma jaula... mas dotada de informação extra! Se isso não é pra confundi-la, pra que mais seria? A propósito: Ben entende um bocado de psicologia. A simples menção do nome de Sawyer antes do nome de Jack o leva a perceber a preferência de Kate. Provavelmente, ela foi parar numa jaula próxima à de Sawyer por conta disso, algo como os Caça-Fantasmas "escolherem sua própria destruição".
- O que espera os três prisioneiros (e talvez os sobreviventes restantes) nas próximas duas semanas, que prometem ser "bem desagradáveis", segundo Ben?
- Os flashbacks do episódio cabem a Jack e tratam da época de sua separação de Sarah. Sou só eu que acho isso ou realmente Sarah e Juliet se parecem bastante? Nada suficiente para presumir parentesco ou qualquer maluquice assim, e elas são interpretadas por atrizes diferentes. Mas fica parecendo que foi tudo meio que arranjado para as duas ficarem muito parecidas e causarem algum efeito na cabeça dele. E o mesmo episódio trazer justo esse flashback e a primeira aparição de Juliet não é coincidência: trata-se da transição de Jack de um amor para outro.
- Mais uma vez, toca Moonlight Serenade, como no rádio de Sayid. O maestro Glenn Miller teria supostamente morrido no desaparecimento de um avião, mas hoje já se aceita que essa história encobre uma morte real bem menos, digamos, grandiosa: drogado num prostíbulo em Paris.
- Essa eu li na internet e tive de conferir de novo no vídeo: quando Kate sai do chuveiro, já há marcas de pés no chão saindo do chuveiro e indo exatamente para o escaninho dela. O que isso significa, eu não sei.
- A enfermeira que fala com Jack sobre o paciente administrar seu próprio remédio é a mesma que atendeu John Locke quando ele doou um rim para o pai. Aliás, o paciente na cena lembra bastante Anthony Cooper, pai de Locke, mas não há crédito em lugar algum relacionando o ator Kevin Tighe ao episódio.
- Ficou mais fácil perceber como Rodrigo Santoro vai aparecer como mais um sobrevivente. Quer dizer, "mais fácil", já que a gente não sabe nada. Só que, por mais improvável que isso fosse, se eram esperados sobreviventes na parte dianteira e na parte traseira do avião, é fácil supôr que haja mais sobreviventes em outras partes e que Os Outros tenham mais um bocado de prisioneiros saídos do desastre aéreo, escondidos em outros lugares da ilha. Santoro, aliás, já é creditado como membro do elenco.
- Os Outros não parecem ser maus nem nada do gênero. Tratam os seus prisioneiros como prisioneiros, mas com bastante humanidade. Juliet diz que ela não é "a doctor" - uma médica, uma cientista, uma bióloga, tudo incluído -, mas eles agem ali como se perseguissem algo maior, como um propósito científico sem crueldade com suas "cobaias". Tiraram sangue dos três, você viu...
- Juliet não é muito fã de Ben, isso ficou bem claro. Não se sabe se ela não aceita a liderança dele, se eles tiveram algum caso, se ela não aprova alguma coisa que ele tenha feito, se ela estaria ali contra a sua vontade ou o quê. Mas ela reclama da falta de liberdade até para escolher um livro, ou seja, talvez Ben seja meio autoritário.
- O novo namorado/marido de Sarah é alguém que valha a pena identificar? Se a vida de Jack foi toda desenhada para que ele viesse a estar na ilha (como eu acredito que aconteceu com todo mundo ali), então essa pessoa deve ser do nosso interesse, sim. Pelo pouco que dá pra ver (quando Jack está no carro, no primeiro flashback), o cara meio que lembra o Patrick Dempsey.
- Veja a galeria de fotos do episódio no site da ABC. Tem de ter Flash instalado e clicar no "Season 3", do lado esquerdo.
- Já que estamos em modo spoiler: a foto abaixo fazia parte de uma seqüência que a ABC divulgou, mas tirou do ar (tirou?). O estrado é o mesmo da Hydra onde Jack está, mas ele não apareceu nenhuma vez, ainda, deitado com uma menininha olhando pra ele!

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Bom, um monte de lugares (virtuais) já anda dando como certa a estréia dessa próxima temporada em março no Brasil. O que é uma grandessíssima sacanagem!
Considerando o que eu já tinha discutido nas Lostícias, com as contas e tudo, a respeito de uma possível data de estréia, não restou dúvida: é pura e simples má vontade do canal AXN. Uma vez que você já conhece os cálculos e tudo mais, fique à vontade para escrever para o ridículo feedback do canal e reclamar de mais esse desrespeito, com razão.
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Não faço a mínima idéia de que lugar gerou essa informação, mas os dois falantes de português (não dá pra dizer "brasileiros" ou "portugueses", porque não são nenhum dos dois) trabalhando para Penelope Widmore no fim da segunda temporada já têm nomes oficiais Eles se chamam Mathias e Henrik.
Consta que são nomes comuns na Escandinávia, mas certamente não no Brasil. Pelo menos não com essa grafia. Mas, se já erraram tudo naquele português mesmo...
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Primeiras revelações dos bastidores do jogo Lost Experience, que acabou há pouco tempo (veja a última Lostícias).
Javier Grillo-Marxuach, membro da seleta equipe de escritores da série, revelou em um fórum que ele era mesmo o DJ Dan, tanto na cara (na única foto) quanto na voz (os podcasts e demais transmissões). A imagem abaixo acompanhou o texto original. Javier está na frente com sua colega oriental, que também era vista na foto anterior.
Diz o homem que até maio de 2006, ele apenas fazia parte do time que criou o Lost Experience, história e desenvolvimento. Eram não apenas escritores (muitos deles, os mesmos da série), mas também representantes de marketing da ABC (o jogo foi uma grande estratégia), pessoal de empresas privadas (que inseriu dicas até nas propagandas), webdesigners e artistas virtuais, blogueiros e editores de áudio e vídeo. Depois disso, Javier cumpriu sua obrigação, mas continuou próximo a esse pessoal técnico e ao escritor Jordan Rosenberg, que ficou encarregado de tocar o projeto na prática, nos meses seguintes. Acabou sendo convocado meio por acaso para encarnar o DJ e gostou bastante da brincadeira.
No fim de sua curta mensagem, Javier revela que conhece muitas das respostas para as indagações que o jogo e a série deixaram aos fãs. Obviamente, ele não vai revelar nada bombástico, mas pretende responder pessoalmente a algumas perguntas que julgar cabíveis ao momento.
Vamos esperar pra ver o que ele solta.
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A essas alturas, todo mundo sabe que o Rodrigo Santoro participou da festa de lançamento da terceira temporada, na praia de Waikiki. Tão aí as fotos pra provar:
Se não for suficiente, tem ele muito rapidinho em vídeo também (a apresentadora não se dá ao trabalho de pronunciar o meu nosso nome). O personagem de Santoro vai se chamar Paulo e estréia no terceiro capítulo, dia 18.
Se bater vontade de ler mais, vai uma manchete na Folha e outra no Estadão.
Agora, se a fissura for muito grande mesmo e você precisar ver um vídeo da festa na praia... Emilie de Ravin (a Claire) estava inacreditável; Evangeline Lilly (a Kate) continua batendo o bolão habitual; e a novata Kiele Sanchez (Nikki) superou até as minhas expectativas de babão prévio.
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Pra fechar, os números da estréia.
A expectativa levou a uma campanha massiva de propaganda lá fora. Na internet, todos os sites que abordam a série esperavam enlouquecidos. Mas a verdade é que a audiência do capítulo não foi das melhores não... Foram 18.8 milhões de espectadores. Pra efeito de comparação, a estréia da segunda temporada contou com 23.5 milhões.
Só que Lost foi, ainda assim, a líder em seu horário, na última quarta-feira. Isso atesta que não foi necessariamente o interesse que caiu, mas a quantidade de gente vendo TV naquele dia e naquela hora. Claro que, se não ligaram para ver a série, também não houve tanto interesse...
Nada preocupante até o momento, já que o capítulo de estréia foi espetacular e pode segurar a onda. Só que vai acontecer aquela janela de dois meses (novembro e dezembro) na exibição lá fora, e, no horário de Lost, vai entrar temporariamente uma série fuleira do incansável Taye Diggs. Se os números em janeiro forem muito, mas muito ruins mesmo, podem culpar esse cara.
Finalmente saiu o resultado final do Troféu Abacaxi Atômico 2006 para os piores da música brasileira em 2005. Como sempre, deve ter sido ao mesmo tempo algo muito difícil de decidir e uma escolha óbvia para qualquer que fosse o eleito.
A lista de quem "venceu" está aqui. Clique em cada (falta de) categoria para ver o grande homenageado do quesito e o pessoal gente-finíssima que concorria com ele.
É um troféu engraçado: não importa quem ganhe, a gente sempre sente que está perdendo, tamanha a fartura de lixo na nossa música "tão rica e uma das melhores do mundo", conforme diriam 12 entre 10 neo-tropicalistas recém-saídos da faculdade de comunicação, com tanto baseado na cabeça (e só isso) que um pé fica em 1967 e outro em Ursa Maior.
Os resultados deste ano foram semelhantes a anteriores, mas o site perdeu muita força nos últimos meses. Hoje, o pessoal (ainda existe um "pessoal"?), que é daqui de BH, está meio avacalhado demais não apenas com o troféu, mas com o Abacaxi todo. Não respondem mais aos emails, não enviam mais a newsletter, mantêm a página de votação no ar mesmo depois que ela já foi encerrada... Uma pena essa decadência da própria "premiação", porque candidatos não faltariam. Tanto Simone quanto Ana Carolina, por exemplo, destruíram completamente qualquer prazer que existia em ouvir uma das músicas mais bonitas dos últimos tempos (The Blower's Daughter, do Damien Rice) e deveriam levar uma espécie de voto conjunto. E "visual", no Brasil, nunca passa de visual mesmo, nada a ver com alguma possível realidade ou "atitude" do "artista" em questão - vide os CSSs da vida, enganando estrangeiro.
Enquanto isso, nada de Belo Horizonte produzir algo mais animador que os milhares de covers dos Ramones e "dulédi" (*) que existem hoje na cidade...
Se deixassem o troféu virar uma instituição, a gente ainda riria muito. Imagine os descendentes dos Brown - Carlinhos e Charlie, o Júnior - escrevendo pessoalmente ao Abacaxi e exigindo cerimônia para uma presença-protesto, como numa Golden Raspberry brasileiríssima, com os discursos caetânicos subseqüentes:
"Minha gente, a beleza inescrutável de um abacaxi em seu mistério pleno de fuloritude prestar-se-á jamais aos que se iludem pela incorreta versão do antropofagismo apregoado. Viva os Andrades! Viva Tarsila! Viva o abacaxi, esse abençoado logotipo da brasilidade evidente e ao mesmo tempo latente em cada silvícola de conforto urbano, amiúde em seu exercício da sapiexistência baiana universal. Viva a coroa que nasce em nossas matas papagaio-imaturo, ela há de coroar os insensatos tomados de pejoratividade. O orgulho de merecer esse fruto da natureza sã da terra que te pariu é o supremo agrado do nativo que canta o chão e a beleza que dele retorce com graça por pai Nanã. Se acautelem os esculachopatas, os rebentos da revolução pintada de luto em vão, adoradores de bezerros tomados das Minas rumo ao imperialismo de outrora que ora se re-manifesta sem manifesto..."
(se ninguém der um tiro, a tendência é continuar...)
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(*) "dulédi": apelido do Led Zeppelin entre mineiros cabeçudos metidos a doidões-discípulos-de-Raul-Seixas. Ex: "Nó, véi, doido o bluzim dulédi".
Se você tem menos de 40, vai se lembrar do Space Ghost. O herói apareceu na TV em 1966, como criação de Alex Toth, uma lenda dos desenhos animados que faleceu em maio de 2006.
Depois de sua jornada pela TV na década de 60, o personagem passou por versões meio toscas em quadrinhos - reflexos quase fiéis da série televisiva original - e até retornou há menos tempo como apresentador do absurdo talk show Space Ghost: Coast to Coast. As gerações mais novas o conhecem dessa empreitada maluca, iniciada nos anos 90.
Em 2004, a gigante DC Comics, atual detentora dos direitos do Space Ghost, resolveu retomá-lo como um "produto sério". Com pompa e investimento pesado, lançou uma minissérie bastante caprichada contando a origem do herói. Essa história acaba de ser publicada no Brasil pela Panini em três edições, e ainda pode ser encontrada completa em bancas e lojas especializadas em quadrinhos. Eu só soube da existência dessa reedição do personagem quando do lançamento nacional, mas a impressão inicial foi bem boa.
O já lendário Alex Ross foi convocado para desenhar as capas, duas das quais você vê aí ao lado. Ficaram um pouco abaixo de sua qualidade habitual, mais puxadas pro cartunesco, mas Ross dificilmente erra... Na arte interna das revistas, Ariel Olivetti saiu-se com uma bela arte pintada, algo entre Simon Bisley (Lobo) e o próprio Ross. Joe Kelly, que esteve por detrás de uma recente fase chatinha da Liga da Justiça ("Obsidian Age", "Trial By Fire" e outros arcos) e da "recuperação" do Super-Homem ("Elite", entre outros), cuidou de escrever uma história que ele próprio define como "space opera" para o velho Space Ghost.
O resultado pode ser visto como algo que lembra bastante a Metal Hurlant (ou sua versão americana, a Heavy Metal), não apenas no visual, mas também no que se refere a um universo ficcional ao extremo, forçosamente fora de qualquer aspecto da nossa realidade. Só que o escritor Kelly tomou cuidado para sempre tangenciar a narrativa americana clássica de super-heróis, adicionando ainda, por sua conta, um alto teor pulp - mistério, sombras, muito drama e uma pitadinha maniqueísta (vilões maus paca, heróis idealistas) - e os disparates característicos do gênero space opera, que permite usar com mais liberdade algumas situações imponderáveis na ficção científica séria.
De começo, é meio difícil enxergar o personagem numa história em quadrinhos. À medida que se vai lendo, fica mais aceitável dentro daquela proposta meio louca e francamente divertida. Até o louva-deus gigante Zorak aparece como grande vilão, numa caracterização bem interessante e próxima daquela dos alienígenas de Independence Day. É tudo meio estranho porque a gente naturalmente se pergunta: "O que pretende a DC? Incorporar Space Ghost à companhia de Batman, Super-Homem ou, quem sabe, Adam Strange?"
Kelly afirmou logo de começo que a intenção, ainda bem vaga, era mesmo a de resgatar o personagem com uma abordagem mais realista (palavras dele...) e apropriada ao seu contexto original. Nas entrelinhas: ele queria afastar da cabeça dos fãs aquele humor de C2C, no qual as poses dos desenhos antigos de Space Ghost e de personagens secundários obscuros eram aproveitadas para que o herói entrevistasse celebridades verdadeiras num telão, tudo com muito mais nonsense do que se pode imaginar. Particularmente, nunca gostei de C2C, mas adoro Harvey Birdman e Brak Show (dois desenhos atuais com desenvolvimento parecido).
A proposta de Kelly foi inicialmente vista com muito desdém pela DC, mas as coisas foram mudando gradativamente e, por fim, o escritor conseguiu alcançar exatamente o que queria. "É o Space Ghost tratado de forma respeitosa, e eu fiquei encarregado desse 'Ano Um'", comemora. A série nasceu fechada e sem pretensão de se transformar em contínua, mas uma seqüência já está em andamento. E no futuro? Nem faço idéia...
De qualquer modo, a edição no Brasil vale a compra, já que temos esse arco em apenas três revistas finas, sem tratamento de alto luxo, e a história é bem OK. A arte do argentino Olivetti (veja mais dela aqui) é excelente e muito apropriada à proposta de Kelly, mantendo um tom realista ao mesmo tempo em que exagera um pouco de tudo. Constrói assim uma transição mais segura para a "nova visão", entre o cartunesco de antes e a intenção de seriedade de agora. Além disso, as curiosidades que cercam essa história origem são muitas e bem atraentes tanto para saudosistas como para novatos. De certa forma, dá na mesma; afinal, quanto material a respeito do personagem esses mesmos saudosistas já tinham visto antes?
Ficamos sabendo, por exemplo, que a pessoa por trás do herói se chama Thaddeus Bach e que aquele "fisiculturista sensível" era antes um policial intergaláctico, membro de uma força de paz.
Mas Bach desconhecia as tramóias de seu líder corrupto e acabou sendo traído e tendo sua vida arruinada. Até então, vemos indícios do treinamento e do idealismo do homem que se tornaria o herói, mas só depois ficamos sabendo do desejo de vingança que o move e dos famosos poderes que vêm de seus braceletes. Isso fica para o restante da história, quando tudo mais é esclarecido - meio a toque de caixa (space operas são mesmo inconseqüentes), mas a contento, pra alegria da marmanjada. Os gêmeos Jan e Jayce (nada de Blip!) também fazem sua estréia, mas ainda não como os sidekicks que nos acostumamos a ver no desenho.
Enquanto um amigo que viu a minissérie na minha casa ficou fascinado com essa redescoberta do personagem para os quadrinhos, e queria até levar as revistas embora com ele, outro ficou indignado por terem "desvirtuado" a imagem daquele herói misterioso com uma história que revela demais, trazendo toda a origem e até a face real do Fantasma do Espaço. É bem provável que exista também o pessoal que venera Space Ghost: Coast to Coast e que vá achar bem difícil engolir uma retomada "séria" do personagem. Portanto, senhoras e senhores, escolham. A história é bacana, mas parece que há bem mais que uma história a se escolher aqui...
O assunto chega com quase um mês de atraso, mas dane-se; tem de ser abordado assim mesmo e nem sempre dá tempo.
Depois de conseguir que a Universal liberasse todo o seu catálogo pra download gratuito, esse tal SpiralFrog agora fechou "um acordo" com a EMI. Sei lá que espécie de acordo é esse (o termo é bem vago), mas alardearam a coisa como uma notícia bombástica. Segundo os desorientados da internet, esse serviço indicaria hoje uma nova e enorme revolução na forma de ouvir música.
O povo só se esquece de ler as letras miúdas: são arquivos WMA de baixa qualidade (128Mbps), que não poderão ser gravados em CD ("queimar" CD é burrice, beleza?), não poderão ser compartilhados com os amigos, não podem ser tocados no iPod (enorme erro, sem dúvida) e você provavelmente vai ter de clicar em meia-dúzia de propagandas até conseguir o que quer. Sinceramente, prezados entusiastas, ainda está longe o dia em que podemos ser otimistas a respeito desse assunto...
Não que a gente não queira ser otimista; saber que os artistas recebem mais com o nosso download de alta qualidade e sem proibições seria bem compensador, sim. Só que o pagamento do SpiralFrog é prometido às gravadoras, e sabemos como elas não repassam aos verdadeiros merecedores, além de oferecer o produto do jeito mais desleixado e sacana possível. Então, eu gostaria que me escrevessem no endereço ao lado com dados atualizados sobre:
- a porcentagem de gente que clica em banners;
- a quantidade de pessoas que vai se importar mesmo com a diferença entre o download gratuito com pagamento indireto às gravadoras e o download "gratuito" via P2P, como é hoje;
- quantos aprovam essa coisa de DRM depois de conhecer e experimentar;
- quantos donos de iPod pretendem adotar o novo serviço;
- a porcentagem dos desinformados que se manteriam fiéis ao serviço depois de ficar sabendo que podem baixar a mesma coisa com qualidade e variedade bem maiores, também gratuitamente, por um processo tão simples quanto um torrent.
Lembra da bolha e seus serviços milagrosos "sustentados" por propaganda? Pois é, estourou!
Você já assistiu a The Devil Wears Prada? Se é um cinéfilo ou, no mínimo, um espectador com um pouquinho mais de experiência, não se preocupe em ir ao cinema para ver: você já assistiu, sim. E umas quatro ou cinco vezes, provavelmente.
Como rara concessão, fui ver isso em uma estratégica sessão vazia na semana passada. Dupla concessão, aliás: estréia (nunca) e filminho "do momento" (nunca mesmo!). Veja como a palavra "nunca" pode ser um tanto relativa quando a estratégia funciona...
Deixei a sala com a sensação incômoda de estar cansado demais para uma happy hour depois da Sessão da Tarde. Claro, era quase meia-noite. O filme é "divertidinho" e nunca passa disso. Proporciona alguma distração e duas ou três risadas até que chega aquela hora em que o espectador percebe no que se meteu de novo. Afinal, só vai acabar se divertindo de verdade quem ainda não está enjoado da repetição de uma fórmula que já seria previsível dez anos atrás. Ou seja, cinéfilos verdadeiros e/ou exigentes em geral, cheguem avisados: é bomba!
A questão em O Diabo Veste Prada é que o hype criado pelos deslumbrados de costume não se justifica em absoluto, como de costume acontece. Falação parece algo "necessário" pra esse povo, não apenas pelo lançamento blockbuster como também pela temática "féchon" escandalosa por si mesma, sempre superficial, sempre estúpida e sempre superestimada por natureza. Pois a película que se vem elogiando em excesso é apenas mais um continho de fadas redundante, muito ordinário e sem atrativos de história ou de estética. Mas que fala de deslumbrados e, infelizmente, para deslumbrados. Passado o momento, quando os mesmos sujeitos (objetos?) voltarem sua atenção para o décimo-segundo "melhor fime da minha vida" de 2006, teremos só mais um lançamento em DVD bastante mediano e nada memorável.
Resumo da traminha surrada à exaustão: menina chega na cidade grande "para vencer", descobre a verdade sobre esse "vencer", passa por crise de consciência e então decide que não vale o sacrifício. No meio, o preço a se pagar é ficar parecida demais com alguém que todos classificam como "o diabo".
Dito isso, seria de se esperar que diretor ou roteirista quisessem aproveitar para introduzir algum elemento de diferenciação ou alguma variação inesperada para fazer valer o hype e o enredo requentado cara-de-pau. Isso não acontece. A babaquice que sempre cerca e fecha a mesma fórmula também está lá, firme. Não apenas a historinha da menina carrega no idealismo barato e característico ("Por favor, heroína, não passe para o lado negro da força!"), como o filme ainda se entrega a algo bem pior: as velhas atenuações hollywoodianas, que aqui acontecem a rodo!
Primeiro, vem aquela coisa de que "lá no fundo, todo mundo é humano e igual". A personagem mais afetada pelo problema é Miranda Priestly (vivida por Meryl Streep), a editora de uma certa revista Runway, 100% inspirada na Vogue. No livro que deu origem ao filme, Priestly é mesmo demoníaca, abusa e pisa tanto quanto pode e nunca precisa se revelar frágil; no filme, mesmo depois de uma hora de projeção, apenas seus empregados criam essa expectativa sobre uma figura mandona carregada de crueldade ocupando uma posição-chave.
A própria pessoa da chefe, durante um bom tempo, não mostra isso de fato. Os outros a vêem como "o diabo" apenas porque ela exige determinados requisitos para cumprir seu papel, que é importantíssimo e de alta responsabilidade - o de "única opinião que importa na moda", nas palavras de uma das personagens.
Lá pras tantas, Priestly finalmente se mostra mesmo grossa de verdade, indelicada, esnobe, artificializada. Mas, antes e depois disso, ela só "é o diabo" por conta da visão estreita desses mesmos empregados, que ela gosta de pôr à prova o tempo inteiro. Nunca aquela pessoa tão ruim assim aparece para o espectador. Alguém aí conhece um chefe que tenha obrigações gigantescas, que lide com grande parte do dinheiro e da imagem da empresa, e que seja bonzinho de verdade o tempo todo? Isso não existe, é uma ilusão. Não dá pra entender pra quê, nos filmes, as pessoas parecem precisar desse denominador comum falso do "somos todos humanos".
Está aí um sinal enorme de algo muito errado no filme. Qualquer pessoa com um mínimo de vivência sabe que tipos muito piores que Priestly de fato existem, não se arrependem, não precisam de máscaras sociais e nem mesmo tentam ser simpáticos. Por que enganar todo mundo com aquele roteiro? O livro não nega a editora como "um diabo" até o fim (e daí seu justo título), mas o roteiro do filme preferiu a covardia de fazer média com fashionistas e seguidores em geral, atraindo-os para o cinema com as caras e roupas e futilidades típicas, a escancarar a carga crítica que estampa o texto original. Incomoda que, no filme, tentem mais uma vez passar esse final como verdadeiro. Perde-se uma oportunidade crucial de mostrar que aqueles nojentos que vestem Prada e se acabam em desmandos são realmente "o diabo". Perde-se a chance de mostrar em Priestly uma personagem mais realista, que o espectador possa odiar de verdade. No filme, a megera é "humana como qualquer um". Oh!...
Aliás, consta que o livro (não li ainda) traz um retrato muito fiel do que acontece de fato nos meios "féchon". Se o filme deixa de lado os elementos que criam esse retrato em toda a sua crueza, e que são a razão de ser da história pesada e do sucesso do romance, o que teria restado? A assistente Emily foi atenuada para virar vítima, a gosto do povão noveleiro. No livro, ela é muito mais cínica e desobediente, como uma pessoa de verdade, frente à loucura muito mais verdadeira da patroa.
Na mesma linha, o costureiro Nigel original não é tão camarada e é muito mais afetado (no filme, não deixam ele criar essa antipatia); Priestly não tem problemas no casamento, mas tinham de criar um dramalhão e uma chefe "humana"; e Andrea não faz sua "boa ação" para Emily (resta respeito entre elas, mas não aquela amizade artificial), entre outras liberdades. Em especial, o clima no encerramento do livro e a motivação final para as decisões da protagonista são enormemente diferentes do desfecho hollywoodiano, refletindo a real intenção da história:
uma crítica aberta e franca, sem crise de consciência, sem "amiguinhas", com as palavras certas ditas nas horas certas para as pessoas certas. Até as cuidadosas escolhas do livro para nomes, situações e locais, todas justificadas pela finesse aparente dos envolvidos, foram substituídas por lugares-comuns, nomes pra qualquer mané reconhecer e se sentir agradado.
Não houve apenas uma diluição; foi, sim, um desvirtuamento vergonhoso. Quem sabe, então, exista algum crédito diferente no roteiro despetalado de Aline Brosh McKenna? Vejamos...
Esquecendo e aceitando por um momento todas as alterações descabidas do filme, poderíamos pensar que, por conta do tal desfecho moralista, o título "O Diabo Veste Prada" passaria a soar como uma espécie de "opinião de alguém" dentro do jogo de fachadas que caracterizam o ridículo "mundo da moda". Ou seja, Meryl Streep faria de tudo pra se manter superficial enquanto nos leva a acreditar que ela não é o diabo que todos pensam que é, ainda que isso não adiante pros outros personagens. Pra eles, ela continua "sendo" e querendo "ser", como um Mr. Darcy às avessas.
Enquanto os funcionários sob seu comando não duvidam da capacidade da chefe em momento algum, todos "se acham" muito superiores a ela - e a qualquer outra pessoa. A crítica do roteiro estaria em afirmar, um tanto sutilmente, que os indivíduos hoje acreditam tão piamente no lema "ninguém me diz o que fazer" que as próprias noções de competência e de hierarquia perderam seu sentido. Sendo assim, o chefe que cobra e que sabe fazer sempre vai virar "o diabo" por qualquer razão comum. Só que, enquanto esses empregados anti-profissionais e o chefe "sacana" acabam sendo todos "diabos que vestem Prada", a pretensão de quem xinga a chefe é sem dúvida muito maior. Naquele universinho patético da comercialização da vaidade, esse pensamento ganharia uma turbinada incrível.
O roteiro poderia, mas não mostra nada disso com clareza. Com essa possibilidade acima, já estamos dando crédito demais a uma história que não o tem. A crítica seria perfeita, mas ela não acontece de verdade, porque se esconde tanto que nem dá pra saber se existia alguma intenção. Há, portanto, grandes chances de o espectador comum continuar acreditando em um título mais literal na saída do filme (como os personagens estúpidos), quando a tal chefe nem é isso tudo e só pratica suas malvadezas hollywoodianas ocasionais (claro...).
Entre os que se consideram patrões de si mesmos sem terem condições para tal, dificilmente haveria compreensão dessa "mensagem", a não ser que o diretor a esfregasse na cara deles. Se o roteiro foi escrito para agradar povinho de moda, é bom salientar que essa gente, mais especificamente, nunca está propensa a entender esse tipo de "dica". De certa forma, foi esse mesmo "excesso de sutileza" que rendeu muitas críticas às primeiras temporadas da série Sex And The City (diversas vezes dirigida pelo mesmo David Frankel). É um recurso absolutamente imperceptível para esses incômodos "alternativos" que a gente vê (e principalmente ouve) pra todo lado. Tenho medo é dos que diziam gostar da série sem entender essa sátira, achando aquilo tudo muito normal...
Na sessão em que eu estava, por exemplo, três "rapazinhos" de vinte e poucos anos, sem qualquer noção de onde se encontravam, passaram o filme falando alto e saíram dando risada, dizendo que o filme era "tuuuudo", sem nem perceber o quanto foram (ou deveriam ter sido) ridicularizados, eles/as mesmos/as, durante aquelas quase duas horas. E é evidente que são essas mesmas pessoas que vão considerar um "atestado de grande coisa" o fato de as bilheterias americanas e brasileiras terem sido bem altas. Quantidade não é qualidade, como já comprovaram tantas porcarias homéricas.
A direção tranqüila de Frankel se rende aos enganos no script e em muitas escolhas de visual e de música, mas faz com alguma competência o que deve ser feito. Infelizmente, não foi mergulhando nesse universo repugnante (e atenuado, lembre-se!) e "se infectando" de obviedades que diretor e roteirista conseguiram mostrar algo. Mais do que os estereótipos, imperam os clichês mais bobos desse mundo, e só eles chamam a atenção: a sucessão de gente esnobe, a trilha sonora irritante de tão óbvia, uma coisa de louco feito Anne Hathaway sendo chamada de "gorda" por longos 110 minutos, um enganando o outro que come a cabeça de um terceiro, Paris isso, Paris aquilo, Paris, Paris, Paris...
Venha esse roteiro do que tiver vindo - covardia ou redação ruim - dificilmente houve acerto. Poderiam fácil ter usado tudo isso acima - que todo mundo já conhece - para destruir o joguinho de egos com mais propriedade. No fim das contas, para entendimento do que Lauren Weisberger, escritora do livro, queria transmitir, o filme pode e deve ser desconsiderado. O teor de sua obra não existe nas telas, e o fraquíssimo roteiro do filme não vale em absoluto como reflexo do realismo azedo pretendido no livro. Resultaram apenas a besteirinha da mocinha na cidade e mais uma afirmação, pras pessoas normais, de como o tal "mundo da moda" é individualista e repulsivo por excelência.
Antes tivessem mantido a personagem principal olhando aquilo tudo meio "de fora" ou sendo absorvida de vez; ou pelo menos que mostrassem alguém mau de verdade que não precisasse viver de pose (e todos achassem "súúúper-normal"). Mas sem qualquer lição de moral no fim, por favor! Se não conseguiram deixar claro nada disso, na prática não houve crítica, só mais um filminho com um leve teor de acidez. "O diabo" não saiu tão mau quanto gostariam, e o próprio título, no filme, ficou sem sentido algum.
Claro, você tem Meryl Streep em uma atuação excelente - mais uma atuação excelente, como todas as que ela vem entregando há anos. Não é novidade alguma ou mérito adicional. Meryl Streep é Meryl Streep, e isso nem se discute mais, é sempre muito bom de se ver! Só que a performance atual não é nada tão excepcional quanto querem nos empurrar. Pode, claro, valer um Oscar ou uma indicação, como tantas outras excelentes atuações de Streep já renderam...
Talvez essa jogação de confete extra tenha a ver também com a própria fraqueza do filme, constrastando justamente com a personagem forte e intensa com que a atriz foi presenteada. Se quiserem apontar alguma novidade ("hypeiros" não vivem sem novidade...), que se fale da atuação agradável do mulheraço Anne Hathaway, atriz antes conhecida como estrela menor e coadjuvante de Brokeback Mountain. Em tempo, e para mera informação do leitor: nossa Vulgaríssima-Mor Bündchen consegue comprometer as duas cenas curtas de que participa, com a "atuação" de um mourão de cerca e um inglês mais macarrônico que o do Pelé.