segunda-feira, novembro 06, 2006

O caos e Watchmen em teoria

This picture is hosted by ImageShackAlgo está errado no nome do livro Watchmen e a Teoria do Caos, do professor mineiro Gian Danton, atualmente radicado no Amapá.

Claro que dá pra perceber logo que o texto era originariamente acadêmico, apresentado como trabalho de conclusão de curso. Só que publicar o trabalho exatamente como ele foi gerado para apresentação a uma banca e ao mesmo tempo buscar como leitores do livro os fãs de quadrinhos mostra-se ridiculamente contraditório - quase ofensivo, até, porque o livro resulta muito ruim.

Em sua ficha no fim da edição, Danton se diz um especialista em redação, comunicação e metodologia científica. Seu livro, por outro lado, traz erros grosseiros exatamente em redação, grafia, metodologia e especialmente de estrutura. Será que não passou por qualquer tipo de revisão, justo vindo de um revisor? A linguagem geralmente aborrecida do ambiente acadêmico traz dezenas de restrições que deveriam ter sido superadas para a publicação de um bom livro, um que não ficasse preso ao formalismo e ao mesmo tempo não descambasse para a superficialidade. Resumindo: um trabalho dessa natureza obrigatoriamente tem de ser reescrito se tiver pretensões de se tornar literatura que não seja técnica.

This picture is hosted by ImageShackO grande problema é que o texto, em sua sanha por obediência a critérios acadêmicos, virou uma bagunça fenomenal. A reescrita geral sugerida acima (e não apenas para este caso, claro) faria muito bem a Watchmen e a Teoria do Caos; criaria um livro valioso tanto no estudo de caso - um exemplo de uso intencional de uma teoria séria na ficção - como também deixaria extasiados os fãs de quadrinhos, por trazer uma análise mais detalhada, aprofundada e diferenciada de uma obra tão importante quanto Watchmen.

Além da linguagem, outra diferença importante que não foi considerada diz respeito ao tempo hábil para a criação. A apresentação de um trabalho acadêmico tem prazo diferente daquele para a publicação de um livro, isso é claro. Quando um autor com tal currículo tem a liberdade (leia-se "mais tempo e flexibilidade") de revisar não apenas sua linguagem, mas também o conteúdo abordado no texto, seria aconselhável que sempre o fizesse pelo bem de sua assinatura na capa. This picture is hosted by ImageShackHá ainda uma questão de amadurecimento que costuma ser pertinente quanto à "obrigação" da entrega de um trabalho e a publicação voluntária de uma obra baseada naquele trabalho algum tempo depois. Nada disso ocorreu aqui.

É bastante óbvio para qualquer leitor mais educado que Watchmen tem mesmo intrincada fundamentação filosófica, social e até mesmo matemática, ao mesmo tempo em que se apresenta como leitura extremamente fluida e fértil para praticamente qualquer pessoa. É Literatura com maiúscula e negrito, sim. Sua adequação universal superficial erigida sobre conceitos de alta erudição e pertinência em diversas áreas constituem a beleza desse texto. Alan Moore foi o gênio capaz de organizar construção tão delicada e bem-planejada.

A presente análise da obra, entretanto, abriu mão justamente do bom planejamento esbanjado por Moore. Apanhando partes do livro que funcionam, eliminando uma quantidade infindável de informações inúteis, acrescentando o que certamente faltou e enxugando o excesso acadêmico, seria possível amarrar um senhor conteúdo, muito mais do que um livrinho de bolso ou a mera publicação de um "trabalho de escola". Vejamos alguns exemplos dessas possíveis mudanças.

O trecho que fala da biografia (relacionada a quadrinhos) de Alan Moore poderia ser facilmente incorporado no decorrer do livro, quando cada colocação se fizesse necessária. Esse começo do livro, que não é relacionado a Watchmen, é praticamente dispensável por inteiro, ainda mais quando o autor resolve se deter em outros trabalhos do autor, como V for Vendetta. A parte inicial está tão longe de qualquer eventual desdobramento adiante que não faz sentido manter as duas coisas separadas - e nem sempre há pertinência para o restante do texto!

A ausência de entretítulos que separem claramente cada seção ou cada assunto abordado é um dos maiores problemas de organização. Mesmo romances de cunho totalmente artístico-literário trazem trechos separados, para possibilitar ao leitor a pausa, a demarcação do que termina e do que começa em seguida, amarrado ou não ao que veio antes.This picture is hosted by ImageShack Sem essa respirada necessária, e ainda mais considerando que o autor simplesmente não soube amarrar muitos dos assuntos, somos obrigados a saltar de uma coisa à outra sem qualquer pista de que o anterior se encerrou ou de que ali existe um "parênteses".

Além dos problemas de organização, há outros ainda mais graves. Um deles é o excesso técnico no tratamento da teoria do caos. Não há muita apresentação nem qualquer aprofundamento; simplesmente jogam-se alguns termos técnicos do nada e inicia-se uma abordagem que, sinceramente, termina parecendo aleatória e sem sentido. Naquele momento, o livro seria obrigado a se comportar como um leve veículo de divulgação científica, afinal, é necessário contextualizar o leitor naquele assunto técnico. O papel da divulgação científica é, em grande parte, o de traduzir em "língua de gente" o cientifiquês e mostrar para a "gente da língua" as aplicações práticas, as fundamentações ou a futurologia resultantes de uma descoberta, de uma pesquisa, etc. Em entrevista, o autor diz que sua grande intenção profissional sempre foi analisar e pesquisar quadrinhos de maneira séria. Sem dúvida alguma, é uma das intenções mais louváveis dentro do universo da cultura pop, comumente tratada com descaso, como assunto desimportante - a própria série Watchmen prova esse engano. Entretanto, tal propósito dificilmente é alcançado no livro, apenas em um ou outra passagem interessante. Transforma-se em um "mérito teórico". Correlacionar um assunto pop a um enfoque sisudo necessariamente exigiria apresentação do tal assunto "difícil" com linguagem acessível. Mas, quando muito, o livro detém-se em exemplos alheios já surrados, sem voz própria.

O conteúdo também traz problemas sérios. Em certo momento, o autor até deixa claro que tentará abordar os elementos definidores do caos um a um e buscar exemplos e aplicações na obra original. Muito bem, sem muita definição, isso de fato acontece. Então, ele se detém, por exemplo, na simetria dos desenhos e dos quadros na narrativa gráfica de Watchmen (com méritos para algumas observações). Agora, esqueça o livro por um instante. Quem quer que tenha lido a série pensa de imediato na referência mais óbvia de todas: a máscara de Rorschach, que você vê abaixo. Pois o autor nem a menciona, nem fala do teste de mesmo nome pelo qual o personagem é obrigado a passar! Não aborda também a clara bipolaridade - também uma simetria de opostos - que existe entre Rorschach e o Dr. Manhattan, que, sozinho, é mencionado a todo momento como se fosse o único personagem-chave da história. Manhattan causa fascínio, sim, mas por isso mesmo deve ser visto com distanciamento, como bem mandam os rigores científicos. Diabos, eu nem mesmo lembro se o nome de Rorschach aparece em algum momento do livro! Como é possível??

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Da forma como está, caro leitor de quadrinhos e, mais ainda, caro apreciador de Watchmen, essa pequena análise pretendida por Danton se mostra superficial, paupérrima e falha em diversos sentidos. Não vale a pena como obra afim; talvez valha apenas como uma certa "iniciação" às complexidades da teoria do caos, se o leitor chegar avisado a essa função do livro. Caso contrário, só vai lamentar a compra do livrinho e o fato de o título de algo tão fascinante quanto Watchmen estar ligado a ele.

sábado, novembro 04, 2006

Lostícias 10

Na semana passada, "Every Man For Himself" voltou o foco ao grupo de capturados, mas já com interseções narrativas com o pessoal acampado. O episódio foi especialmente centrado nas conseqüências das recentes atividades de Sun e no "long con" de Sawyer, a quem cabem os flashbacks.

Abaixo, siga o mesmo esquema usual: manchona preta pra cobrir com o mouse entre duas imagens centralizadas. Lá no final da coluna vai algo parecido a respeito do episódio desta semana.

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- "Every man for himself" significa "cada um por si". Sawyer diz isso duas ou três vezes em sua jaula e, em seu flashback, não chega a dizer, mas é exatamente o que ele faz. O cara finge cumplicidade com outro pra poder salvar o próprio, ahn, traseiro. É como diz o diretor: o cara é tão bandido que conseguiu mentir e roubar o suficiente para sair da cadeia.

- A ameaça de Ben a Sawyer foi um tanto enfática, não? Quando o baixinho se mostra mais esperto que o "artista", desarma a estratégia do cara e ainda dá nele uma surra, ainda completa com "Você é bom, Sawyer, mas nós somos muito melhores". Com isso, aumenta o mistério em torno dos Outros - e só aumenta; deve ser por isso que a audiência americana vem caindo.

- O desenho a que Jack assiste em sua cela é do Patolino (Daffy Duck) e se chama The Blue Danube. Existe portanto uma relação com cisnes (swans) e, nesse desenho em particular, há o rapto dos filhotes por um abutre que é morto pelo Patolino no fim (pô, contei o fim...). Uma coisa interessante e meio louca que alguém de fora levantou é que esse desenho é a segunda parte de um programa de meia-hora. Na primeira, que é um desenho à parte, Pernalonga finge que foi baleado e morto pelo Hortelino (Elmer Fudd) para sacanear o caçador. Ben não forjou a morte do "coelhinho 8" para sacanear Sawyer? Tem cara de viagem, mas é coincidência demais...

- Mas há algo com o coelho que não é coincidência. Lá na primeira temporada, foi noticiado que Sawyer lia na praia o livro Watership Down. Quando perguntado a respeito, Sawyer faz piada com um "É sobre coelhos..." Não apenas o livro é mesmo "sobre coelhos" na aparência, como traz uma grande alegoria da condição humana e sua relação com a liberdade. No meio da história, os coelhos em sua nova comunidade se vêem sem fêmeas para a reprodução e planejam raptá-las de outras comunidades. Percebe a semelhança? E ainda há o fato de que...

- ... Juliet é especialista em fertilidade (humana, aparentemente). Claire foi seqüestrada pelos Outros na segunda temporada enquanto estava grávida, e Ethan fez com ela estudos de natureza ainda obscura. Ninguém faz idéia de quem são os Outros ou do que eles querem, mas Juliet tem de ter relação com esse rapto justamente da sobrevivente grávida. E quanto a todas aquelas crianças raptadas? Ben ainda deixa claro que "we're not killers" com ênfase em "killers", meio como se quisesse dizer o oposto: "nós damos vida". Sinal de loucura, como o "salvamento do mundo" da Hanso e de Inman?

- Toda a história da droga associada ao marcapasso tem mais uma vez a ver com condicionamento puro e simples. E, se Ben sabia que Kate podia escapar e não o fez por Sawyer, também essa foi uma experiência com condicionamento. Tudo muito cruel, claro.

- Alguém sabe se aquela camisa que Paulo usa é de algum time? A descrição não traz nada e ela não tem número nas costas. Poderia ser pista de alguma coisa, como uma nacionalidade.

- Mais uma espécie de alarme falso para os manés entusiastas de algum "casinho de amor" no meio da saudável bagunça que é Lost. Pelo menos dessa vez a coisa foi mais sincera: Kate diz que ama Sawyer só para que ele não seja mais espancado, mas depois ela age de acordo. Tinha a opção de tentar voltar ao acampamento ou de tentar soltar Sawyer, mas, diante dos pedidos para desistir, ela simplesmente escolhe voltar para sua cela. Se isso não diz muito, não sei o que mais diria... E ainda diz um "live together, die alone" pra acompanhar...

- Sei lá se a grande revelação que estava prevista para Sawyer, segundo falaram antes, era a existência da própria segunda ilha em que eles estão esse tempo todo. A tal grande revelação iria "mudar o rumo da série", segundo noticiaram, mas essa não me pareceu algo que vá mudar tudo, ainda que seja bem interessante. A não ser, claro, se o caso da segunda ilha ainda tiver desdobramentos, como a descoberta da "civilização dos Outros" pelos sobreviventes, um levante, um contato com o mundo... Mas aí seria outra história, outro capítulo, outras revelações.

- Jack percebe a briga por poder entre Juliet e Ben. Fica claro que Juliet pensa em "trabalhar com", mas as ordens de Ben sempre sugerem "trabalhar para". Há um racha entre os Outros, e essa divisão não tem relação com os sobreviventes - nem de causa e nem de efeito, até agora. Ela já existia e pode vir a ser determinante.

- Desmond vai complicar a vida de Charlie e Claire? Bom, acredito que ele só foi lá por causa do pressentimento do raio. E esse é mais um indício das premonições de poucos minutos do cara: começa a chover do nada e o raio cai exatamente no lugar em que ele resolveu redescobrir a eletricidade. É bastante curioso que David Hume, o filósofo, tenha trabalhado tanto com as questões do determinismo (tudo o que acontece já estava "escrito" que aconteceria) e do indutivismo (inferir que algo vá acontecer só porque "vem acontecendo"), enquanto o personagem Desmond David Hume começa justamente a adivinhar as coisas antes que elas ocorram.

- Adaptando a informação de um site estrangeiro: há mais uma forte evidência de que Locke também possa ver o futuro. Durante sua alucinação mostrada em Further Instructions, ele ouviu Sawyer no aeroporto dizendo a Kate a frase "Wipe the stars out of your eyes, sweetheart" ("enxugue as estrelas de seus olhos, querida"). Neste episódio de agora, Sawyer disse a Kate exatamente a mesma coisa enquanto explicava a ela sua artimanha com a eletricidade.

- Of Mice and Men: o livro de John Steinbeck, com o nome Ratos e Homens em português, fala do isolamento humano e das pessoas lutando por suas liberdades individuais (de novo, uma relação com "cada um por si"). Um dos personagens principais sonha com coelhos. Há uma relação clara do livro também com a recorrente frase de Kate, "live together, die alone". E o que mais são os capturados (ou todos os sobreviventes?), senão ratinhos de laboratório à disposição dos Outros?

- Há um bocado de quatros e oitos nos flashbacks de Sawyer (e mais o coelho), e o 23 é mencionado no número da conta de banco. A taxa de tolerância do reloginho de Sawyer é justamente 15. Mas estão causando mais curiosidade as ocorrências freqüentes do número dois. Só nesse episódio, ele aparece com destaque umas três vezes.

- Sawyer tem uma filha com a mulher que ele enganou em seu "long con". Mais uma relação problemática de pais e filhos. O nome do bebê é Clementine. Tudo isso abaixo que eu pesquisei relacionado ao nome é provavelmente viagem errada, mas veja só: Tom Sawyer e Huckleberry Finn são os dois grandes amigos dos livros de Mark Twain; o Dom Pixote em inglês se chama Huckleberry Hound, e tanto ele quanto James 'Sawyer' Ford foram nomeados como homenagem a esses personagens; a música preferida de Huckleberry Hound é Oh My Darling, Clementine; e o refrão da música diz "You are lost for me forever / Dreadful sorry, Clementine"; Sawyer, então, tem uma filha que remete a Huck e ainda fala em "lost forever". Viagem erradíssima, mas dá vontade de que seja verdade, fala sério...

- Alguém tem um tumor na medula, e é um homem. Depois que levaram Colleen baleada à estação dos Outros, daria tempo de "preparar" aquilo, já que Jack foi chamado a intervir bem depois - Juliet até mesmo extraiu a bala antes de ele aparecer. Será que as radiografias foram deixadas lá de propósito para que Jack as visse e concluísse alguma coisa? Será que alguém realmente tem um tumor na medula ou é só mais um jeito de manipular o médico?

- Mais uma dualidade entre branco (Sawyer, o crime, a prisão, a enganação) versus negro (o diretor, a lei, a liberdade, o cumprimento da palavra).

- É curioso que Sawyer, na sua eterna busca por apelidos engraçados, chame Munson (o prisioneiro enganado) de "Costanza" como clara referência a George Costanza, de Seinfeld. O prisioneiro e o clássico personagem se parecem mesmo. Logo depois, ao falar com Ben, Sawyer o chama de George, mas dessa vez por causa do livro de Steinbeck (veja acima), sem nenhuma relação.

- Sawyer exigiu que sua recompensa fosse depositada num banco em Albuquerque. Pois essa cidade fica no estado americano do Novo México. O banco que Kate assaltou num episódio há mais tempo (em que ela até se finge de vítima) era no Novo México. Fill in the blanks...


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Como você já deve saber, as legendas do LostBrasil foram forçadas a sumir do site e o webmaster de lá foi até ameaçado de processo.

This picture is hosted by ImageShackÀ primeira vista, parece um total absurdo essa punição, mas a questão realmente é complicada porque não existe jurisprudência (decisões em casos semelhantes) suficiente no Brasil para se fazer uma interpretação única (e então prevalece a do mais podero$o). A própria legislação não atende ao ramo dos downloads como deveria. Como praticamente tudo neste país, precisa de reforma pra anteontem.

O negócio é que ninguém está tendo lucro financeiro com as traduções do texto, e a distribuição é feita de modo tão abnegado quanto possível - grátis e aberta a todos. A marca "Lost" é obviamente alheia, e ninguém no site faz questão de tomá-la para si. Só que o texto original de cada episódio, assim como um livro ou um post autoral na internet, cria direito de autor e fica vinculado a quem o escreveu. Qualquer tradução tem de ser autorizada e acarreta transferência de direitos por um trâmite formal, como inclusive acontece para as legendas e dublagens na TV.

E aí vem a internet e muda um bocado o conceito de publicidade (qualquer que decidam tomar). A capacidade de tornar públicas determinadas peças não está mais restrita a um grupinho de emissores - que, claro, estão atualmente se sentindo ameaçados e acuados, apelando no desespero para todas as armas descabidas de que dispõem.

No fim das contas, em termos de ataque direto, a ameaça de processo é um disparate, uma assembléia da ONU por causa de um bueiro aberto, ou comprar uma Ferrari para ir à padaria de madrugada. Então o que sobra é o ataque indireto: essa manobra, teoricamente, faria com que o pessoal parasse de baixar os capítulos. E esse teoricamente é tão teórico que não dá pra acreditar que meia-dúzia de pessoas serão seriamente afetadas.

This picture is hosted by ImageShackAs legendas continuam e continuarão a ser produzidas (não por mim, com certeza) e trocadas via instant messengers e outras redes, sem precisar do site. Todo mundo que tem um amigo fã da série vai conversar com o próximo e o outro, e assim a coisa alastra fácil. Arquivos de legenda têm o quê? Uns 50kb?? Sendo assim, o webmaster, que não comercializa nada dessa produção, estaria sofrendo ameaça de processo à tôa e, no fim, nada poderia ser provado contra ele, nem mesmo má fé. É só mais uma demonstração vulgar de poder de quem ainda acha que pode.

Se estão em busca de solução, que renegociem os contratos de exibição na TV e comecem a pensar no público que baixa as séries. Procurem agradar seus consumidores, que, afinal, são a única razão da existência dos canais de televisão! Em vez de o AXN transmitir os episódios com seis meses de atraso, por exemplo, que passe a trazê-los com só uma semana de diferença, como acontece com o Letterman no Brasil ou com outras séries em outros lugares do mundo, exatamente como estratégia para diminuir a pirataria - e as notícias são de que isso tem funcionado! É puramente uma questão de bom senso contratual.

Mas, como nós já vimos nas contas para a exibição de Lost no Brasil (em outra Lostícias aí pra trás) e em tantas dezenas de lambanças de Warner, FX ou Sony, o que não falta aos canais a cabo brasileiros é má vontade e incompetência. Em vez de tomar uma Aspirina, cortam a cabeça, põem fogo e mandam a foto pro jornal...

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Na semana passada, alguns sites próximos aos produtores de Lost disseram que o jogo Lost Experience, que transcorreu na internet de maio a setembro deste ano, pode ganhar um "falso documentário" com informações adicionais.

This picture is hosted by ImageShackPresume-se que o documentário, ambientado no "mundo paralelo" de Lost Experience (ou seja, não seria making of, vídeo de bastidores nem nada assim), traria as andanças de Rachel Blake (Jamie Silberhartz) provavelmente filmadas por ela mesma, e ainda material de arquivo que a hacker (ou um canal de TV fictício, quem sabe) adicionou a respeito das atividades da Fundação Hanso. De qualquer forma, é provável que trechos do jogo que não ficaram claros venham a ser conhecidos com mais detalhes, e atividades desconhecidas da Fundação podem vir alimentar novas teorias.

Esse filminho entraria como extra na caixa de DVDs da terceira temporada, a ser lançada no meio de 2007. Se isso soa meio tarde para incluir informações adicionais, há uma possibilidade ainda melhor: o documentário pode ser lançado literalmente qualquer dia desses, na caixa de HD-DVDs da primeira temporada. Não duvido de que vá ser lançada durante o hiato de três meses de Lost, para manter algum interesse na série.

Ah, um detalhe que faltou mencionar e que já é certo: vai mesmo acontecer uma seqüência de Lost Experience no ano que vem!

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Trechinho que interessa de uma entrevista do Rodrigo Santoro à Folha:

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As particularidades de Paulo obrigaram Santoro a repensar o método de trabalho. "Quando vi que não tinha onde pesquisar, decidi trabalhar com a não-construção. Faço o personagem existir a cada cena".

Como a temporada havaiana não deve se estender indefinidamente - o ator disse já saber quando deixará a série -, cada minuto livre é pretexto para diversão. "Levo uma prancha no carro. Se dá tempo, dou uma surfada antes do trabalho ou no intervalo. Também jogo bola com o Ian [Cusick, que interpreta Desmond]. Para mim, é como estar na Disneylândia."

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A data para o retorno da atual temporada na TV americana já foi marcada. Contrariando tudo o que vinha sendo dito até agora (meados de janeiro), a segunda parte da terceira temporada retorna no dia 7 de fevereiro de 2007, três meses depois da exibição do capítulo 6 (quarta-feira da semana que vem).

Logo de começo, os criadores e escritores de Lost se manifestaram contrários às constantes reprises que a ABC vinha promovendo. O público chiou, a audiência sempre tomava um baque e a história, claro, se tornava ainda mais confusa. Mas essa data definitiva foi escolhida com base em cronograma de filmagens. Parece que não daria pra cumprir a previsão anterior e empurraram um pouco.

Nos meus cálculos anteriores sobre quando o AXN poderia voltar a exibir Lost no Brasil, levei em consideração duas semanas de tolerância - exatamente o atraso que anunciaram agora. O cálculo, portanto, ainda é o mesmo: o AXN poderia voltar com a série no começo de janeiro ou até um pouco antes. Quando tivessem de transmitir o capítulo 7 (o do dia 7/2), os seis capítulos anteriores já teriam preenchido a cláusula do "intervalo de um mês".

Como o AXN mantém sua estréia em "data indefinida de fevereiro", possivelmente lá pelo meio do mês, a besteira do canal se mantém.

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Bom, não vou vir com aquele papo de "o melhor da temporada", mas "The Cost of Living", episódio da última quarta, foi o que mais gostei de assistir dentre os dessa leva recente, apesar do que acontece nele. Os flashbacks ficam a cargo de Mr. Eko. Ficamos sabendo como ele se estabeleceu como padre, depois da partida de seus amigos criminosos, seu irmão e as santas-do-pau-oco.

Abaixo, os comentários no mesmo esquema habitual:

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- Não fica definitivamente comprovado, já que nunca vemos a transformação, mas tudo indica que o monstro de fumaça pode mesmo ler as mentes dos sobreviventes, ou algo assim, e se materializar como a culpa ou quem sabe apenas a "grande perturbação" de cada um. Seria uma espécie de redentor. Não dá pra afirmar, mas, seguindo o mesmo raciocínio, foi ele quem encarnou o amigo imaginário de Hurley, o pai de Jack e aquele cavalo preto que Kate e Sawyer conseguiam ver ao mesmo tempo (o que prova que não foi alucinação). Tanto o corpo de Yemi quanto o do pai de Jack sumiram, certo? O monstro pode ter pegado ambos como "matrizes" para a sua materialização. Enquanto isso... onde diabos está Vincent?

- Caso o leitor fique revoltado com a afirmação acima - de que não necessariamente o monstro e a figura de Yemi fossem o mesmo (embora realmente pareça que sim) - aí vai algo a se pensar. Há mais de uma razão pela qual Yemi poderia dizer a Eko que não era seu irmão. A primeira é que Eko pode ter imaginado a conversa, como bem seria razoável supôr. A segunda é que Yemi poderia vir guardando esse segredo verdadeiro - eles não eram irmãos. Outra, que Yemi não considerava aquela pessoa tão má e nunca arrependida como seu irmão, mesmo que fossem sangue do mesmo sangue. E, por fim... bom, considerando a série, ele não era Yemi porque poderia ser basicamente qualquer coisa... Enquanto a gente não vê de verdade a transformação da fumaça em algo ou alguém, fica difícil afirmar. Mas a tenda de Eko pegar fogo logo no começo é um bom indício de que aquele Yemi era real de alguma forma!

- Se alguém souber o significado do ritual e das roupas no enterro de Colleen, escreve aí. Só dá pra dizer mesmo que têm a ver com hinduísmo, e aí temos mais uma relação forte dessa corrente filosófico-religiosa com diversos conceitos da série. A música que toca durante a cerimônia, entretanto, não tem nada de religioso: I Wonder, cantada por Brenda Lee.

- Pra quem vê mais de uma série (heh), saiba que a freira nos flashbacks de Eko é a guarda florestal de Invasion. Mas o menino Daniel (um anjo?) não é o filho black-power de "MYY-NAAME-IS-ÊRLE".

This picture is hosted by ImageShack- Temos o surgimento de um dos personagens mais misteriosos da série até agora e, ao mesmo tempo, o clichê mais batido: o homem do tapa-olho. Por que tudo quanto é mistério tem de envolver um homem com um tapa-olho em algum momento? Você já viu alguém usando isso mesmo, e que fosse em definitivo?

- Após a morte de Eko, o único "tailie" (o grupo que estava na parte de trás do avião) em meio aos sobreviventes é Bernard, que anda bem sumido. Aliás, nem é um "autêntico tailie", estava só usando o banheiro lá no fundão. Será que dá pra desconfiar justo do Bernard?

- To Kill a Mockingbird: trata-se do filme definitivo de Gregory Peck, em que ele encarna um dos maiores heróis da história do cinema americano, o advogado Atticus Finch. No Brasil, livro e filme se chamaram O Sol É Para Todos. A escritora original é Harper Lee, a companheira de viagem de Truman Capote. O título original quer dizer algo mais próximo a "como matar um sabiá", e aí há uma grande sacada: o mockingbird é uma espécie particular de sabiá que é "poliglota"! O sujeitinho é capaz de soar como muitos outros pássaros e se passar por eles, ou seja, o filme a que Jack deveria estar assistindo tem no título um bicho que sabe se passar por outro e enganar todo mundo. Seria uma referência a Ben ou à própria Juliet? O filme faz um monte de considerações a respeito de bem, mal e a alma humana. Não só se aplica perfeitamente ao questionamento feito a Eko como serve para tanta discussão em termos de Lost que é melhor nem entrar nisso...

- Uma bela frase de efeito de Locke, que deve ter repercussões maiores para a série: "Não confunda coincidência com destino traçado". Ele diz isso a Desmond quando o escocês percebe a estranha coincidência das buscas de Eko (pelo irmão) e de Locke (pela estação Pearl). Locke, portanto, deixa claro mais uma vez que acredita que é o destino de todos eles estarem ali. O incidente púrpura e a implosão da estação Swan abalaram a fé do caçador, mas parece que, depois da alucinada na sauna, deu tempo de ele se encontrar outra vez.

- Esse encadeamento, aliás, deixou uma impressão bastante forte: tudo o que aconteceu até agora levou à convergência das duas buscas, e, assim como Boone, Eko foi mais um sacrifício exigido pela ilha. Ele expiou com a vida sua culpa pela morte do irmão, permitindo assim que Locke e os seus companheiros tivessem a revelação de que a estação Pearl seria decisiva no resgate de Jack, Sawyer e Kate. Os sobreviventes precisavam dessa pista, e o preço foi a vida de Eko, o único bem de que o africano dispunha e que era compatível com o tamanho de sua culpa. Foi quase um suicídio, na verdade, ainda mais considerando sua última conversa com o irmão (em que ele admite a tal culpa, mas não o sentimento dela) e as últimas palavras a Locke (algo como "a fila do confessionário acaba de andar"). Mas Eko não tinha como saber que estava pagando esse preço para que seus amigos tivessem a revelação. Tudo muito bem costurado.

This picture is hosted by ImageShack- Nikki e Paulo começam a mostrar serviço exatamente para o que vieram fazer: servir de braço extra e novos focos de interesse, pelo menos até que seja conveniente. Kiele Sanchez está realmente destruidora em termos de beleza, mais ainda que em Related. Pagando um pouco de língua aqui e voltando atrás numa opiniãozinha besta, não dá pra negar que Juliet está destruindo com tanta força que conseguiu chamar muito a atenção - e claro que digo fisicamente. Ficam pau a pau. Só é pena que Santoro vá fazer o papel do "alívio cômico", o tipo do engraçadinho chato, e não gente boa feito Hurley.

- As radiografias não foram deixadas na parede de propósito, no capítulo anterior. Ou foi acidente ou é uma jogada de Juliet, como fica claro pela conversa exclusiva entre ela e Ben na praia. Se fosse algo planejado, teriam feito Jack ouvir (e ficar encucado) ou simplesmente não teriam conversado daquela forma. Não haveria razão.

- O jogo de "ignore o que eu falo e leia os cartazes" foi fantástico. Aquilo, sim, bagunçou não apenas a cabeça de Jack, mas também a do espectador. Não se sabe mais o que pensar a respeito da rivalidade interna dos Outros. Ao mesmo tempo em que parece que Ben está ali como uma "continuação" do Dharma, possivelmente sob ordens antigas de Mittelwerk ou outro manda-chuva corrupto da Hanso, como é que Juliet poderia ter gravado tudo sem o conhecimento de seu paranóico "líder"? Mas também é bom lembrar que Ben está na ilha "desde sempre", segundo ele próprio. Sua obsessão pelo antigo regime pode ser a razão da discórdia entre ele e Juliet, que teria sido introduzida na ilha posteriormente. Muito, muito difícil isso tudo...

- Só pra complicar: alguém reparou que a roupa dela no vídeo é a mesma que ela usava lá no primeiro episódio e não tinha nada a ver com a roupa que ela usa na frente de Jack ali, na hora?

- Aliás, por que Ben diria a Jack, na cara, que os Outros tinham um plano para fazê-lo ceder? Isso faz parte de uma jogada (não é difícil supôr que Jack já teria pensado que esse plano existia mesmo, claro) ou foi uma grande bobeada de Ben, que estaria então contradizendo muito do que já disse? O fato é que, mais uma vez, o médico é chamado à fé. E justo por quem... Enquanto isso, Locke realimenta suas crenças e Eko morre por sua razão, sem nunca negar a fé.

- Uma coisa dita por Ben eu tinha apontado antes (sem querer exclusividade, claro): a semelhança de Juliet com a ex-mulher de Jack não é apenas óbvia, é intencional.

- Pra ficar claro: em entrevistas, tanto Carlton Cuse e Damon Lindelof (criadores de Lost) quanto o próprio Adewale Akinnuoye-Agbaje (o Mr. Eko) deixaram claro que a trajetória e a morte do personagem já vinham escritas há tempos. Há sempre tramas em desenvolvimento, mas há outras cujo final já se sabe desde que eles começam a redigir. Não há, portanto, qualquer relação com os problemas recentes de Adewale com multas de trânsito, a não ser a grande coincidência de que Ana-Lucia e Libby também morreram logo depois de tomarem suas multas no Havaí. Segundo os produtores, a maior prova disso é que o caso de Adewale foi logo em seguida considerado em engano dos policiais (não havia ilegalidade), todas as queixas foram retiradas e a imprensa chegou antes e fez um escarcéu. Mas... também consta que Adewale era um dos atores mais difíceis em cena, um pouco temperamental demais. Seu contrato sempre foi temporário a pedido do próprio ator e, se dependesse dele, Eko já até teria morrido há mais tempo.

- Quando Eko vai ao encontro final do "Yemi que não é Yemi", só me veio uma coisa à cabeça: aquele cenário seria uma representação exata do que eu imagino que seja o Salmo 23 - não, eu não sou religioso nem nada, só imaginava isso por alguma razão. E então, logo antes de sua morte, Eko recita esse mesmo texto e é brutalmente espancado pela fumaça negra.

- Pelamordedeus... "You're next"?? Singular, plural e os próximos a quê? Fechamento clichê matador!


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quinta-feira, novembro 02, 2006

Little Miss Sunshine

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Uma história absurdamente simples: família atravessa os EUA numa Kombi arrebentada para que sua filhinha participe de um concurso de beleza mirim. Mas Little Miss Sunshine não é um filme de história, e sim de personagens. O que interessa nele é observar a própria família de loucos, junto a outros loucos que eles encontram pelo caminho e até seu absurdo meio de transporte, que vai se desenrolando naquela hora e meia como um personagem por si só.

O filme vem sendo elogiado com certa empolgação como "o grande representante da qualidade cinematográfica indie" ou títulos parecidos, e é realmente uma pérola tanto em meio à pretensão independente quanto frente aos blockbusters descerebrados. Mas calma lá. Little Miss Sunshine é mesmo maravilhoso e enche os olhos e a cabeça como um grande filme deve fazer, mas sem necessariamente ser tão "genial" como um salvador supostamente seria aos olhos do público modernoso. Há de se diferenciar essas genialidades. Afinal, o maior mérito do filme está justamente em ser enorme mostrando pouco: a vida ordinária com o drama e a graça que lhe são peculiares. A falta do brilhantismo óbvio, que é o que mais se busca no veio independente, não apenas não é desmerecimento nenhum a esse filme como é o que faz sua grande qualidade.

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Por meio de críticas pesadas, do retrato de gente comum com problemas palpáveis, de uma América mais real e de apenas uma linha simples a ser seguida (como é a vida da maioria), os realizadores conseguiram criar uma espécie de fábula moderna, um "drama de humor negro de situações" sem qualquer ligação com conceitos do (grande) Tim Burton ou com contos fantasiosos do gênero. Ao contrário, foi partindo de um mundo real e de pessoas mais verdadeiras que Michael Arndt (escritor), Jonathan Dayton e Valerie Faris (diretores) passaram a introduzir o elemento surreal (mais realista que qualquer fantasia), a metáfora sutil e ao mesmo tempo óbvia, os personagens marcantes e tridimensionais, a humanização do inumano, as mensagens que perpassam a narrativa e um sentimento final de triunfo de bom sobre mau, ainda que meio torcido - uma vez que vida real não é maniqueísta como a vida do cinema.

O espírito do filme é o de que ainda é possível contar uma história pequena e com poucos personagens que sejam verdadeiramente cativantes, sólidos, às vezes tão chatos como somos no dia-a-dia, mas gente que seja imprevisível e tenha manias. É o tal espírito "indie", contrário aos filmes mainstream atuais que apostam cada vez mais (como as séries de TV) em elencos grandes, eventos mirabolantes, histórias paralelas e efeitos especiais.This picture is hosted by ImageShack Little Miss Sunshine custou nada mais que 8 milhões de dólares e já faturou mais de 70 milhões no mundo todo. E não foi com nenhum elenco de desconhecidos e amadores...

Num filme centrado em personagens, naturalmente, as atuações é que deveriam pesar. Pois elas são nada menos que arrebatadoras, por parte de todos os atores em praticamente todos os momentos.

No começo, Steve Carell ainda conserva alguns trejeitos de seu histórico Michael Scott, da série The Office, como o olhar para o vazio e os meios-sorrisos sem graça. Mas aos poucos ele vai encarnando seu personagem da vez, com destaque para o fato de seu Tio Frank ser um homossexual que nunca apresenta trejeito "fácil" algum. Carell teve a extrema presença de "guardar" uma única afetação - que nem é necessariamente gay, estaria mais para esquisitice mesmo - This picture is hosted by ImageShackpara os momentos finais, quando todos estão correndo para chegar ao concurso. Durante todo o filme, nota-se a profunda melancolia do personagem na graça contida do ator, sem que ele precise forçar situações ou cair no ridículo.

Toni Colette é o monstro de costume. Do hilariante Muriel's Wedding passando por Velvet Goldmine e The Sixth Sense e chegando a About a Boy e The Hours, é difícil lembrar de um momento em que a atriz não tenha destruído tudo em seu caminho em busca de uma atuação perfeita. A mãe Sheryl Hoover beira a neurose pela busca incessante de uma vida mais politicamente correta sem saber direito o que é isso, e acaba superprotegendo sua filhinha em prol da sanidade de ambas.This picture is hosted by ImageShack Só que Sheryl, no fim das contas, já está tão alucinada quanto o resto da família simplesmente por um dia ter sido a mais lúcida e agora remar o tempo inteiro contra a maré.

E a filha... Bem, Abigail Breslin cativa desde o começo como uma menininha absolutamente comum, fechada em seu mundinho infantil e alheia (ou resistente por opção?) ao restante da família problemática. Sua atuação ganha ainda mais destaque quando percebemos que ela não é nenhuma estreante - já tem quase duas dezenas de aparições em cinema e TV - e ainda assim soube como "ser gente normal" em uma atuação aos 10 anos de idade!This picture is hosted by ImageShack O jeito de criança comum e sonhadora, os diálogos convincentes e tudo em sua aparência física desajeitada e barrigudinha condiz com Olive Hoover, sem afetação ou estrelismo.

Greg Kinnear, um dos maiores coadjuvantes (ou menores estrelas, como preferir) do cinema atual, continua corretíssimo como o pai Richard Hoover, tão obcecado pela clássica diferenciação americana entre "vencedores" e "perdedores" que não percebe o quão próximo ele mesmo está da derrota.This picture is hosted by ImageShack Seu pai, o hippie temporão pervertido e boca-suja Edwyn Hoover, interpretado pelo veterano Alan Arkin, não o deixa esquecer disso. Ao subverter tudo o que diz o filho e agir constantemente como um "alternativo fora de época", o velhão - viciado por escolha e um pouquinho mais que libertário - se assume como o único a abraçar voluntariamente o caos que todos ali representam.

Em meio a essas posturas está o adolescente Dwayne (Paul Dano, talvez em seu primeiro grande papel), que também arrasa pelas paixões que demonstra em sua performance.This picture is hosted by ImageShack Dwayne odeia todo mundo e tem especial desprezo por sua família problemática. Determinado a ser uma pessoa maior que aquilo que o cerca, resolve demonstrar sua rebeldia e sua busca pessoal com o silêncio, e desde pronto recusa qualquer possibilidade de se divertir naquela viagem compulsória. Mas Dwayne vai descobrir que não pode negar quem ele é, onde vive e quais são suas raízes.

O concurso de beleza infantil é indescritível, e qualquer coisa que se diga sobre ele seria um desrespeito ao leitor, por entregar sem necessidade a crítica e a graça histérica reunidos ali. Só assistindo mesmo para se compreender o todo. Para os fãs de 24 Horas, Mary Lynn Rajskub (a Chloe) tem uma ponta importante nessa parte.

Resta ainda a Kombi amarela, a metáfora sempre presente que parece dizer "não funciona, mas funciona assim mesmo". Os Hoover são tudo de errado, mas continuam existindo por aí, como uma família que tenta ser feliz apesar de tudo.


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terça-feira, outubro 31, 2006

Quem ganharia numa luta entre...?

This picture is hosted by ImageShackComo é que só hoje eu fiquei sabendo de um concurso importante desses, pôxa??

A imagem ao lado é clicável e o texto abaixo veio diretamente de uma matéria da Folha de 10 dias atrás...

***

Caubói bate Papai Noel entre os 101 personagens mais influentes dos EUA

Parece que Papai Noel não já está com essa bola toda. O bom velhinho perdeu para o caubói do Marlboro num ranking dos personagens fictícios que "mandam" na sociedade atual. A lista está no livro The 101 Most Influential People Who Never Lived ("as 101 pessoas mais influentes que nunca viveram), lançado recentemente nos Estados Unidos.

O
"macho man" criado nos anos 50 para alavancar a venda de cigarros bateu Big Brother, criado por George Orwell no livro 1984, o Rei Arthur, Hamlet, Frankenstein e Sherlock Holmes, entre outros personagens.

Apesar de um humilde quarto lugar, Papai Noel tem sua importância reconhecida no livro.
"Papai Noel comanda toda a nossa economia no último trimestre do ano. Sem ele, muitos negócios quebrariam", diz Allan Lazar, um dos autores do livro.

Outros ícones infantis também estão representados no ranking. Mickey Mouse aparece em 18º lugar, o urso Smokey, em 21º, a Cinderela, em 26º, Alice (do País das Maravilhas), em 34º e Barbie, a boneca que vende milhões de unidades em todo o mundo, em 43º.

Confira a lista:

1 - Caubói do Marlboro
2 - Big Brother
3 - Rei Arthur
4 - Papai Noel
5 - Hamlet
6 - Frankenstein
7 - Siegfried (herói germânico)
8 - Sherlock Holmes
9 - Romeu e Julieta
10 - Dr. Jekyll e Mr. Hyde
11 - Tio Tom (Uncle Tom)
12 - Robin Hood
13 - Jim Crow (de
Dumbo)
14 - Édipo
15 - Lady Chatterly
16 - Ebenezer Scrooge (do
Conto de Natal de Dickens)
17 - Dom Quixote
18 - Mickey Mouse
19 - Caubói americano
20 - Príncipe encantado
21 - Urso Smokey
22 - Robinson Crusoé
23 - Apolo e Dionísio
24 - Ulisses
25 - Nora Helmer (de
A Casa das Bonecas)
26 - Cinderela
27 - Shylock (de
O Mercador de Veneza)
28 - Rosie the Riveter (mulher americana na 2ª Guerra)
29 - Midas
30 - Hester Prynne (de
A Letra Escarlate)
31 - Trenzinho da Alegria
32 - Archie Bunker (de
Tudo em Família)
33 - Drácula
34 - Alice (do País das Maravilhas)
35 - Cidadão Kane
36 - Fausto
37 - Fígaro
38 - Godzilla
39 - Mary Richards (personagem de Mary Tyler Moore)
40 - Don Juan
41 - Bambi
42 - Guilherme Tell
43 - Barbie
44 - Buffy, a Caça-Vampiros
45 - Vênus e Cupido
46 - Prometeu
47 - Pandora
48 - G.I. Joe
49 - Tarzan
50 - Capitão Kirk e Sr. Spock
51 - James Bond
52 - João e Maria
53 - Capitão Ahab (de
Moby Dick)
54 - Richard Blaine
55 - Patinho Feio
56 - Monstro do Lago Ness
57 - Atticus Finch (de
O Sol É para Todos)
58 - São Valentim
59 - Helena de Tróia
60 - Batman
61 - Tio Sam
62 - Nancy Drew
63 - J.R. Ewing
64 - Superman
65 - Tom Sawyer e Huckleberry Finn
66 - HAL 9000 (o computador de
2001 - Uma Odisséia no Espaço)
67 - Caco (dos Muppets)
68 - Sam Spade (de
O Falcão Maltês)
69 - O Flautista de Hamelin
70 - Peter Pan
71 - Hiawatha (indígena dos EUA)
72 - Otelo
73 - Carlitos (personagem de Chaplin)
74 - King Kong
75 - Norman Bates (de
Psicose)
76 - Hércules
77 - Dick Tracy
78 - Joe, o Camelo (dos cigarros Camel)
79 - The Cat in the Hat
80 - Ícaro
81 - Mammy (de
...E O Vento Levou)
82 - Simbá (dos 40 ladrões)
83 - Amos 'n' Andy
84 - Buck Rogers
85 - Luke Skywalker (de
Star Wars)
86 - Perry Mason
87 - Dr. Fantástico
88 - Pigmaleão
89 - Madame Butterfly
90 - O vampiro de Düsseldorf
91 - Dorothy (de
O Mágico de Oz)
92 - Judeu Errante
93 - Grande Gatsby
94 - Buck (de
The Call of the Wild)
95 - Willy Loman (de
Morte de um Caixeiro Viajante)
96 - Betty Boop
97 - Ivanhoé
98 - Elmer Gantry
99 - Lilith
100 - O americano anônimo (conhecido por "John Doe")
101 - Paul Bunyan (o mítico gigante lenhador)

segunda-feira, outubro 30, 2006

Os mortos-vivos de Kirkman

This picture is hosted by ImageShackQuando do lançamento de Os Mortos-Vivos: Dias Passados no Brasil, fiquei muito bem impressionado pela quantidade de comentários positivos em blogs e sites e resolvi dar uma olhada no material. Depois das muitas menções a George Romero e à abertura idêntica à do filme 28 Days, acabei comprando o volume meio ressabiado, mas pude comprovar que as qualidades eram verdadeiras, talvez um pouco diferentes do que eu poderia prever. Muito maiores, até.

No geral, fala-se de qualidade em um texto de quadrinhos pensando em originalidade e ousadia - como acontece ocasionalmente nos títulos mensais - ou de amarrações e subtextos revolucionários, como nos trabalhos de Alan Moore. Só que o álbum de Robert Kirkman (o mesmo autor de Invencível) não necessariamente puxa pra qualquer um desses lados. Seu diferencial é justamente a grande simplicidade do texto e algumas boas trucagens de narrativa, como o uso dos tons de cinza nos desenhos (excelentes, por Tony Moore) e dos quadros mal-delineados, que ajudam a criar uma atmosfera absolutamente perfeita para a história.

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De tão simples e tranqüila, a trama na verdade nem chega a ser trama. Mais uma vez, vemos o triunfo de uma obra que renega os recursos mirabolantes de alguns quadrinistas (e cineastas e produtores e músicos) em nome de um "realismo" que costuma se mostrar bem mais complicado do que muita ficção. Alguns artistas (como Terry Moore em Estranhos no Paraíso) percebem que é muito mais convincente tomar por base o mundo como ele é hoje e as pessoas com todos os seus defeitos e qualidades, e então inserir um elemento perturbador central e bastante forte. No caso da história de Kirkman, a grande cidade em que vivem seus personagens foi tomada por zumbis. Mas esse elemento não é e nem pode ser gratuito, nunca "apenas um acontecimento".

Kirkman busca o que está além do mero incidente e explora a metáfora de uma vida "diferente", deixando de lado a nojeira explícita que alguns buscam em filmes de zumbis. O autor acerta em cheio! Os zumbis são meros coadjuvantes que criam uma situação ao redor dos personagens centrais e, afinal, quem vive a história é quem viveu para contar a história. São pessoas que, apesar de tudo, continuam sendo gente comum.

A metáfora, por simples que possa parecer, nem sempre é notada por quem assiste filmes de zumbis atrás do bom e velho gore. Mas fica mais fácil de perceber na sua vida, por exemplo, quando você quer ouvir uma música diferente, sair para um lugar diferente, conhecer gente diferente, ver um filme diferente, visitar uma cidade diferente ou viver em um país diferente... e não consegue, porque tudo e todos "subitamente" (longe disso, na verdade) ficaram iguais! Certamente, o leitor em algum momento já passou por essa situação. A expressão "mortos-vivos" mostra-se muito melhor que apenas "zumbis" para descrever o que vem tomando conta do mundo há tempos...

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Por narrar um cotidiano aparentemente simples, Os Mortos-Vivos (The Walking Dead, no original) traz uma leitura bem fácil e rápida. A justa paranóia dos personagens se reflete no próprio correr da história, uma vez que o tal foco restrito naquele grupo acaba se mostrando bem obsessivo até para o leitor, que passa a "participar" do grupo. Enquanto o policial Rick Grimes, sua família, seu parceiro Shane e alguns "amigos de ocasião" estão ilhados em poucos metros quadrados, com eventuais escapadas para garantir a comida, nada do mundo lá fora é mostrado, e o leitor então só fica sabendo quase tanto quanto os personagens. É bem fácil criar uma identificação com aqueles sobreviventes e sua difícil tarefa de viver um dia-a-dia meramente humano, tal como o nosso, repleto de estranhamento, conversas triviais, inveja, ciúmes, laços espontâneos, companheirismo, desconfiança...

This picture is hosted by ImageShackO volume editado no Brasil, entretanto, traz dois grandes problemas: não ter escrito na capa um necessário "volume 1" de todo tamanho e o conseqüente fato de a história não ter um fim (exatamente por não ser um volume único com um arco totalmente fechado). Nos Estados Unidos, Dias Passados também foi publicada como o volume separado Days Gone Bye (um trocadilho entre "dia após dia" e "diga adeus àqueles tempos"), mas você pode ver ao lado que o volume americano não procurou passar ninguém pra trás. Além disso, os americanos receberam antes a revista em fascículos e já sabiam do que se tratava o encadernado.

A editora nacional HQM nitidamente preferiu agir de forma mais supeita. É bom o consumidor de quadrinhos ficar conhecendo essas trapaças. Mesmo depois de apreciar uma boa história, me senti tão enganado como quando a Panini lançou a terrível X-Men: O Fim sem avisar que seriam três longas e entediantes minisséries (que eu não comprei mais, lógico).

Depois de Dias Passados, que coleciona os seis primeiros números da série regular Walking Dead, já existem mais cinco volumes reunindo revistas até o número 36 (pelo menos). Vamos assistir agora à HQM arrancar o couro dos leitores com Miles Behind Us, Safety Behind Bars, The Heart's Desire, The Best Defense e This Sorrowful Life, depois de criar a dependência por um lançamento enganoso do primeiro número.

Serial Frila:
F5 na TV (parte 1)

The Serial logo is hosted by ImageShackDepois de uma bela atualização geral (veja lá!), a Serial Frila da vez fala das estréias nas TVs americana e brasileira. Como foram dezenas de novas séries, preferimos deixar de fora os "retornos" de quem você já conhece, e abordar só as novidades. E ainda assim a coluna vai sair em umas três partes...

Na primeira, Heroes, Blade, It's Always Sunny in Philadelphia, Psych, The Class, Justice, Reno 911!, In Justice, Jericho, The Nine, Ugly Betty, Til Death, Falcon Beach, Brotherhood e Runaway. E, acredite, falta um bocado!

Leia aqui: F5 na TV (parte 1).

domingo, outubro 29, 2006

Cuidado com os ataques

Ao pobre e condenado espectador do SBT, um aviso amigo: todas as péssimas séries do "a-traque" que vem aí já foram canceladas há tempos e, se você insiste em vê-las, talvez não saiba que se trata do conjunto de traduções mais ridículo de todos os tempos.

This picture is hosted by ImageShackIt's All Relative virou "Casal Gay", quando na verdade trata de um casal... que não é gay (e que não deu certo). Freddie foi a única a não ganhar tradução e, curiosamente, era a melhorzinha do pacote (que não deu certo). O nome "Vida de Artista" para famigerada Joey, série derivada de Friends, é um verdadeiro atentado à inteligência. A série era ruim (e não deu certo), mas o nome só não foi pior do que "Q.I. da Loira", como Twins veio a ser chamada. Essa provavelmente leva o trono de tradução mais estúpida de um nome de série em qualquer momento da história da TV brasileira -- a começar do fato de a série não ter como atrativo a burrice da loura, e sim as diferenças de comportamento entre duas irmãs gêmeas (que não deram certo). De todas, a mais fraca é de longe Hot Properties, agora apelidada de "Corretoras" (que não deram certo). Por fim, Center Of The Universe virou "Sou O Maior"... "mas mesmo assim a minha série não deu certo".

Desperate Housewives foi parar numa inacreditável RedeTV; Lost e 24 estão sendo dilaceradas na Globo, enquanto o público sofredor prestigia e pede qualidade; CSI, acredito que nunca passaram num canal aberto, o que é uma tremenda começão de bola; e, do que tem dado audiência há mais tempo, e mesmo assim é péssima (mas faria o maior sucesso na TV aberta dos novelões), resta Grey's Anatomy.

Nem é tão estranho que a TV aberta brasileira sequer consiga alcançar o pior da TV aberta americana -- e nem seriam essas séries, que eram ruins, mas melhores do que qualquer coisa da TV aberta nacional hoje. O que deixa a gente besta é a impossibilidade de o SBT (teoricamente, a segunda maior rede do país) comprar boas séries, ou exibir qualquer uma na ordem correta e até o fim, ou arrumar uma dublagem decente. O que causa espanto mesmo é a insistência naquilo que não tem futuro, já foi recusado e é apresentado ao espectador na base da mais pura enganação, como "séries novas".

Ao espectador "obrigado" a isso, só podemos lamentar e desejar que possa assistir à programação a cabo o quanto antes, seja para passar tempo, para se informar, para refletir, para deixar tocando de fundo, para relaxar ou para a finalidade que bem escolher. Afinal, nossa TV aberta não serve mesmo é para nada.

UPDATE (5 novembro 2006): não satisfeito em escolher a nata da porcaria para o seu horário nobre, o SBT compra uma das comédias mais cobiçadas da atualidade -- The New Adventures of Old Christine -- e programa para passar à meia-noite!! O nome é "As Novas Aventuras de Christine", o que não é tão ruim, mas, claro, destrói o sarcasmo do original. Tá bom pra você? Se não, saiba que, nas mãos do canal, Reunion sofreu um dos piores atentados que eu já vi contra uma série. Consta que "Reunião" ganhou, no Brasil, um final inédito no mundo(!), provavelmente criado na hora por algum estagiário com sono. Foi a coisa mais mal-ajambrada de todos os tempos. Não satisfeito em ser um final horroroso (e escrito na tela, sem imagens, obviamente), também não correspondeu em nada ao que os criadores da série alegaram que seria o verdadeiro final oficial.

Ah, parece que nomes e enterros de séries não são exclusividade do SBT. A Globo anda passando Arrested Development, uma das maiores comédias de todos os tempos, em altas madrugadas e com o fantástico título "Caindo na Real". Nem precisa mencionar que a dublagem mata o programa, porque as piadas de muitos níveis em inglês são a alma do negócio. E, além dela, Boston Legal e Law & Order: SVU também andam pipocando sem qualquer consideração com os produtos, seus criadores e seu público. Tudo lá pras 4h da manhã...

Isso tudo nem deve ser novidade pra quem vê TV aberta, mas eu realmente não vejo. E, por conta dessas aí acima, quero cada vez mais distância.

sábado, outubro 28, 2006

Heroínas a cafeína

This picture is hosted by ImageShackExiste uma tradição entre grandes empresas que (eu acho) ainda não pegou com força no Brasil. Todo fim de ano, elas lançam calendários altamente elaborados para o ano seguinte, cheios de intenções artísticas, celebridades, temas mirabolantes e fotos exclusivas feitas por gente grande. É um forma de fixar a marca na sua cabeça o ano inteiro e ainda oferecer um produto útil e bem feito, dado o investimento. Alguns viram verdadeiras obras de arte.

Também popular fora do Brasil e nem tanto por aqui é a Lavazza, uma "grife" de café espresso italiana (em tempo: espresso é uma forma de preparar o café, nada a ver com "expresso" ou "rapidinho"). A marca acaba de divulgar seu calendário 2007, cujas estrelas são um time de super-heroínas sexy que costuma se reunir numa prosaica cafeteria para apreciar seu espresso preferido. Verdade seja dita, nem precisam se reunir; elas tomam café enquanto em ação também.

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As fotos para a campanha "The Most Incredible Espresso Experience" são do madrilenho Eugenio Recuenco. A campanha ganhou um site bem caprichado, com créditos completos, making of e até um concurso que ainda vai entrar no ar.

As heroínas têm nomes, poderes (inspirados em certas "capacidades naturais" femininas) e às vezes até algum background, e vivem numa espécie de Gotham City talvez mais moderna. Dá pra imaginá-las em alguma história das Aves de Rapina, por exemplo. Como coadjuvantes, há o humilde barman que prepara o café preferido das moças e um gato chamado Napoleon. Passe o mouse sobre as fotos abaixo pra saber o nome de cada uma.

Taí um presentinho que não me faria mal, viu, Lavazza...


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quarta-feira, outubro 25, 2006

Mrs. Cusack, you're the man

This picture is hosted by ImageShackSabe aqueles casos de ator ou atriz que costuma passar batido, mas que você conhece de pontas em séries ou filmes assim mesmo? Pois é.

Você certamente já viu Joan Cusack pra muito lado. Ela teve até uma série muito ruim que não durou nada, há poucos anos, com seu nome no título e tudo. Seus grandes projetos mais recentes são dois filmes de elencos bem interessantes: Friends With Money e The Last Guy On Earth.

Agora, por que raios falar dela nesta ocasião?

Um dos pontos mais reconhecíveis dessa senhorita, além dos medianos a bem decentes dotes como atriz e do fato de ser irmã do John Cusack, é a aparência um tanto desagradável aos olhos masculinos em geral. Basta lembrar, por exemplo, que era ela a diretora travadona em School of Rock.

Por conta dessa aparência angulosa demais, escrevam ctrl+C, ctrl+V no que eu digo: essa, digamos, jovem senhora tem uma séria possibilidade de ser muito bem notada se derem a ela rápido o papel certo. O tal papel seria o de um homem - seja uma drag king, um cara mesmo, um tio gay com crise de meia-idade, mas que seja um papel que envolva ela ser um homem de algum jeito. Entenda-se que isso não é ofensa alguma, e estaria mais para um elogio - o bom aproveitamento de algum talento, inclusive físico, que vem passando despercebido. E teria de ser um papel estupidamente sério, profundo e bem construído, de Boys Don't Cry (com Hilary Swank) pra cima, marcante feito Transamerica. E você verá como ela aparece.

Acho que ainda assim seria daqueles casos de alguém que vem conhecido por anos e anos, porém despercebido, e então é "descoberto" num papel que muda sua carreira durante uns dois anos, concorre ao Oscar (ganha?), merece elogios da crítica da Terra do Fogo ao Trans-Siberian News... e depois acaba voltando pra salinha de coadjuvantes profissionais. Mas redefine sua carreira inteira por um papel.

domingo, outubro 22, 2006

Lostícias 9

Bom, essa nova Lostícias veio antes do esperado. Ia demorar, sim, mas apareceu assunto, e isso é o que sempre interessa, né? Claro, não posso deixar de agradecer muito o apoio do Reginaldo Yeoman, um bloguerreiro na área desde 2002.

***

Como já está virando certa tradição, vamos ao comentário do último episódio. No momento, Further Instructions preenche o cargo.

Depois de se centrar no grupo capturado e no grupo de apoio tático, é hora de ver como está o grupo envolvido no incidente da estação Swan, do fim da segunda temporada. Como o episódio foi um daqueles mais à moda antiga de Lost, ele contém segredos e spoilers, e vai mais uma vez como manchona preta entre as duas imagens centralizadas. Cubra com o mouse para ler.

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- O episódio é todo centrado em John Locke (incluindo os flashbacks), que está bem vivo depois do incidente. Também estão vivos Desmond e Eko, mas esse último passou por maus bocados nas mãos (ou na boca) de... outro urso polar, acredite se quiser.

- Locke passa o episódio inteiro tentando encontrar Eko, não apenas para se redimir por seu (suposto) engano com relação ao computador, mas também pelo erro grave cometido anos antes e que arruinou a comunidade em que ele vivia e na qual finalmente tinha conseguido paz e uma "família". Esse assunto fica pros flashbacks, que quase sempre fazem paralelo com as situações atuais da ilha.

- Depois da implosão, Locke acorda inexplicavelmente mudo, no meio do mato, e essa é uma questão que vai ficar pendente. Afinal, como ele não morreu prensado no incidente? Por que ele emudeceu? Estaria isso relacionado a alguma questão psicológica que teria também causado a paralisia (ou a cura)? Outra: quando Locke encontra Charlie e consegue se comunicar com ele por gestos, de onde ele tira aquele papo de "falar com a ilha"? Dá pra entender o que ele quer fazer, mas não qual sua razão pra fazê-lo e por que se refere a isso como "falar com a ilha".

- A intenção do episódio é mostrar a mudança de personalidade por que Locke passou nos anos anteriores e, como paralelo, mostrar mais uma mudança de atitude em sua vida também na ilha. Em sua comunidade, ele era mais pacífico e tido como detentor da "índole do fazendeiro", em contraste com a "índole do caçador", conforme eles acreditam. É mais uma manifestação das dualidades que sempre dão as caras em Lost, uma espécie de "preto versus branco" (fé e razão, luz e escuridão, bons e maus, etc), como se nunca existissem outras possibilidades.

- O nome do episódio poderia ser interpretado como "aguardando novas instruções", algo que se aplicaria a todos os sobreviventes. Pense no seguinte encadeamento: a "liderança eleita" (Jack) está longe, Locke passou toda a segunda temporada lidando apenas com questões de fé, não há quem tenha tomado o leme do acampamento de sobreviventes e, muito convenientemente, o questionamento anterior não tem mais razão de ser (a escotilha foi destruída e Locke alterou suas convicções). O careca agora pode reassumir seu lado aventureiro, pronto a dar as "novas instruções" ao grupo, inclusive comandando a futura equipe de resgate.

- Logo que acorda, Locke encontra Charlie e, com ajuda meio relutante, insiste em armar uma "sweat lodge", algo como uma "sauna para meditação". Entra nela com uma droga que ele preparou logo antes e, como um xamã, se concentra, engole a substância psicodélica e começa a alucinar - tudo sem dar um pio.

This picture is hosted by ImageShack- A alucinação é aquele sonho que eu descrevi na edição passada das Lostícias, mas com um detalhe importante: o primeiro sinal de inconsciência é uma conversa com o falecido Boone. Ao aparecer, o rapaz diz exatamente o que Locke dissera antes - Boone foi "um sacrifício que a ilha exigiu". Mas é bom lembrar que quem produz esse argumento ainda é a cabeça de Locke, e não um "Boone real". E ele continua dizendo que John conseguirá falar quando tiver algo a dizer, e assim ele poderá "reunir a família" outra vez. Isso está relacionado com o flashback (veremos abaixo), mas, no contexto da ilha, pode ser considerada mais uma questão estranha. Locke vê nos sobreviventes uma espécie de família? Quem faz parte e quem não faz? Tem a ver com aquela impressão que ele passava na primeira temporada, de ter encontrado um propósito na vida e nem se preocupar em escapar da ilha? É provável que seja apenas um sentido figurado para "reunir o grupo novamente".

- Os dois então "aparecem" no aeroporto de Sydney antes do embarque. Boone informa que John precisará da cadeira de rodas para aquele passeio. A cadeira deve ter algum significado muito pessoal, como se o próprio Locke se enxergasse, no fundo, como um aleijado, rótulo que ele conscientemente rejeita. Boone explica que alguém naquele aeroporto está em sério risco, e Locke é o único que pode salvar essa pessoa. Primeiro, vêem a dupla Charlie e Claire com Aaron no colo, e Boone diz "Eles ficarão bem... por enquanto". É bom frisar que nada fica explícito e nem dá afirmar que sejam um casal! Em seguida, Sayid, Sun e Jin na fila de embarque - justo o grupo que está distante e reunido em outro canto da ilha, e Boone ainda completa que "Sayid tem o controle da situação". Hurley é o funcionário que atende a fila mais adiante. O computador é o mesmo da estação Swan, e ele digita os velhos números. Boone afirma que também não é Hurley em perigo. Desmond desce as escadas rolantes vestido de piloto, feliz da vida ao lado de três aeromoças. Em tempo: nenhuma delas é Cindy, a aeromoça sumida, até porque John nunca a conheceu. Boone faz um comentário dúbio: "Forget him, he's helping himself", o que pode significar tanto "ele já está bem arrumado" quanto "ele só se importa consigo mesmo". Atrás de uma parede de vidro, Kate e Sawyer parecem estar viajando juntos - estão fisicamente separados, mas conversam e se tratam com aparente intimidade. Jack aparece deixando seu relógio na revista do aeroporto. O guarda que revista o médico é Ben - na cabeça de Locke, claro, ele ainda é o falso Henry Gale - e o "bip-bip" do aparelho de revista soa como o primeiro alarme que tocava na Swan. Sobre os três sobreviventes, Boone diz que "não há nada que você possa fazer por eles... ainda", e que Locke deve primeiro consertar suas próprias confusões.This picture is hosted by ImageShack Essa última frase fica ressoando até que Locke se vê sozinho, na cadeira de rodas, na frente da escada rolante. Boone está no alto. O esforço de John para alcançar o topo da escada lembra com nitidez a cena em que ele e Eko encontram o grande "?" no meio da selva. Chegando no topo da escada, ele encontra manchado de sangue o cajado de Eko, e Boone aparece também coberto de sangue (exatamente como em um dos primeiros episódios da série, Deus Ex Machina, também em sonho de Locke), dizendo "Recomponha-se, John. Eles os pegaram. Você não tem muito tempo."

- Sobre o meu comentário anterior a respeito do "sonho" (que nem é sonho, é alucinação), talvez nem tudo se aplique mais. O último parágrafo certamente foi pro saco, mas quem sabe o resto ainda guarde sentido. Por exemplo, há relatos de que, para essa seqüência, Charlie e Claire se beijavam como um casal, mas isso não acontece na cena.

- Depois que ele acorda, Locke interpreta "consertar a sua confusão", junto ao cajado com sangue, como a necessidade de salvar a vida de Mr. Eko, que foi prejudicado por conta de uma decisão de Locke.

- O flashback conta a história de quando Locke vivia numa espécie de comunidade hippie no norte da Califórnia. Um dia, no caminho para lá, ele pega um caronista chamado Eddie, leva para a tal comunidade em caráter temporário, o cara gosta e resolve ficar. Mas Eddie era um policial disfarçado, investigando a hipótese - que se comprova real - de o casal-líder da comunidade estar cultivando maconha numa estufa, com conhecimento dos outros membros. O casal é formado por Mike e Jan. O rosto de Mike é familiar... Já foi confirmado que ele não é Tom / Mr. Beardy / Mr. Friendly, o capataz d'Os Outros. Quando são apresentados a Eddie, Mike diz que John é um cara muito especial - talvez algum dia saibamos a razão disso, mas soa como se alguém ali soubesse de algo que não sabemos. John faz uma oração antes da comida e, no meio das palavras, agradece por ter deixado de ser "tão nervoso" e por ter encontrado "uma nova família". Está aí o reflexo da fala de Boone na alucinação.

- Mais adiante, Mike e Jan são vistos na estufa, embalando tudo às pressas, depois de descobrirem (não é mostrado como) que Eddie é um policial em missão. A acusação de ter posto tudo a perder, claro, recai sobre John. O careca se propõe a consertar a situação para que aquela comunidade não acabe. Mike faz exatamente a mesma proposta do Boone imaginário: conserte a confusão que você mesmo armou, daí o paralelo de situações.

- Detalhes interessante do flashback: Eddie diz que está indo para uma cidade chamada Eureka (que existe mesmo na Califórnia). É o que se diz quando se faz uma grande descoberta, justo o que ele queria fazer na comunidade como policial disfarçado. Quando a perua de Locke é parada por um guarda (cujo nome é nome Williams, mas não vi significado nisso ainda), dá pra ver a placa de Locke (5Q49938, idem) e sua data de nascimento, na habilitação, como 15 de novembro de 1946 (dá pra destacar pelo menos o 15 como "número maldito"). Aliás, John é apenas um diminutivo para Johnathan, seu nome real. Sei lá o quanto disso já era conhecido antes, mas ficou bem claro agora. Eddie está usando uma camiseta surrada e com o logotipo psicodélico da banda fictícia Geronimo Jackson, que já apareceu na série em outras ocasiões. No fim, o registro do policial disfarçado Edward 'Eddie' Colburn (e esse nome?) traz discretamente um registro 84023 - isso leva a 4, 8, 23 e 42, pelo menos.

- A inspiração para a "sweat lodge" também vem da comunidade. Ao chegarem, Locke e Eddie passam por uma cabaninha assim, e Locke explica que o objetivo dela é deixar-se tomar pelo calor da fogueira que há lá dentro e meditar sobre o que é importante na sua vida, como "ser um caçador ou um fazendeiro". Claro que há alguma droga envolvida e, no caso, deve ser alguma maconha poderosa.

- Há uma certa ironia no fato de Locke ajudar a suportar uma comunidade que vive do comércio de maconha e reprimir o uso de heroína de Charlie tão violentamente. Quando o careca entra na sua "cabaninha do barato" com um alucionógeno, Charlie faz um comentário semelhante.

- Fechando a história pregressa, Locke dá um jeito de emboscar Eddie na mata e arranca a verdade. Eddie duvida que Locke vá atirar, porque ele tem o perfil do "fazendeiro". Vira as costas, vai embora e deixa um Locke frustradíssimo pra trás. Locke então sente que destruiu sua "família" por manter uma postura pacífica. O fato de ele ter dito que antes era "muito nervoso" e então ter mudado indica que a real natureza de John talvez seja a do caçador. Provavelmente, é nesse momento de sua vida que ele decide assumir sua real vocação aventureira para sempre - o que provavelmente causa sua paralisia, num próximo flashback.

- As questões resultantes são: o que acontece com aquela comunidade depois disso? Fotos promocionais da ABC mostravam membros da comunidade sendo presos, e você vê uma delas mais abaixo. Como descobriram que Eddie era um policial? Um laptop é mostrado, mas isso seria meio simplista... Por que Locke, só mais um trabalhador ali, é tido como "muito especial" para aquele pessoal? Por que Locke não foi preso (se é que não)? Teria sido tudo um jogo mental da Hanso para fazer aflorar o "verdadeiro" Locke, antes de jogá-lo na ilha?

- De volta à ilha: uma fala potencialmente importante acontece quando Locke decide fazer a busca sozinho e diz a Charlie que coisas ruins sempre acontecem com quem insiste em acompanhá-lo - como se Locke sentisse que carrega uma maldição, coisa que já vimos na ilha com Hurley, Sayid e outros. Charlie insiste em ir junto. Só não dá pra entender por que, quando Locke e Charlie encontram o crucifixo de Eko na mata, o careca "sabe" que Eko foi arrastado por ali por um outro urso polar.

- Chegam à cratera que sobrou da escotilha depois da implosão. Logo perto, há um javali morto e pêlos brancos. O urso polar que Locke tirou do bolso realmente existe e acaba perseguindo os dois. Locke pára em certo momento e arremesa sua faca, mas escuta um grito. Ele acaba de acertar o cantil de Hurley, que vem do falso acampamento d'Os Outros. O gordinho dá a notícia da captura. Hurley também ainda se refere a Ben como "Henry". Seguindo rastros, Locke cisma que Eko foi levado pelo urso para dentro de uma caverna logo adiante.

- Qual o significado do comentário de Charlie sobre um programa da BBC que mostrava ursos polares como "simpáticos" e "os Einsteins do mundo animal"? Talvez seja a razão pela qual a Iniciativa Dharma os tenha escolhido para experiências na ilha, em primeiro lugar.

- Quando Locke diz que vai descer sozinho e proíbe Charlie de ir junto, temos mais uma ocorrência da expressão "Não me diga o que eu não posso fazer!", agora dita por Charlie.

- Hurley segue para a praia e, no caminho, descobre Desmond nu e escondido. Não fica claro o que exatamente aconteceu com as roupas de Desmond, o que é muito suspeito. Quando Hurley insiste em querer saber, Desmond apela, o que é ainda mais suspeito. Será que Desmond realmente sobreviveu à implosão? Lembre-se de "See you in another life".

- Hurley empresta um camisão e eles retornam à praia juntos. Desmond vai contando o que aconteceu e diz ainda que não sabia o que poderia acontecer se a chave de emergência fosse usada. Fica sabendo que a ilha tremeu e houve o clarão arroxeado no céu. Hurley, claro, também pergunta se não é estranho que Desmond não tenha implodido junto - e ele responde bem naturalmente que não. E Hurley: "Mas... você vai virar o Hulk ou algo assim?" Por mais engraçado que isso soe, talvez faça sentido. Afinal, quando Hurley menciona que Kate, Sawyer e Jack estão capturados, Desmond dá uma resposta estranha: "Não se preocupe, Locke disse em seu discurso que irá salvá-los". Hurley não faz idéia de que discurso seja esse, e Desmond também não sabe de onde tirou isso, e ambos se convencem de que foi só um delírio.

- O que significa o caminhãozinho de brinquedo que Locke encontra na caverna? Será que aqueles "antigos" Outros que estão com as crianças passaram por lá? Aliás, ainda não se sabe a relação entre aqueles maltrapilhos raptores de crianças e Os Outros que moram na vila. Podem ser as mesmas pessoas, podem ser grupos diferentes. Lá no fundão da caverna, Locke encontra restos mortais humanos, um símbolo Dharma meio decomposto numa camiseta... e o urso polar furibundo da vida. Consegue carregar Eko pra fora usando fogo contra o bicho - mais uma analogia com a mitologia grega, quando Odisseu salva seus amigos de serem devorados um ciclope, cegando o monstro com uma lança em brasa.

- São de se destacar os péssimos efeitos especiais do episódio com relação às aparições do urso.

- Voltando para a praia, dão uma parada pra pegar água, e Locke se desculpa com Eko. Ele ainda lamenta não ter evitado o seqüestro de Jack, Sawyer e Kate, mas Eko acorda e diz que Locke ainda pode encontrá-los e salvá-los - afinal, ele "é um caçador". Charlie retorna com água e Eko já está desacordado de novo. Não fica claro se houve mesmo aquela conversa ou se Locke a imaginou.

- No retorno ao acampamento da praia, os três são auxiliados por Claire, Paulo (Rodrigo Santoro) e Nikki (Kiele Sanchez). A introdução dos dois novos personagens é feita de forma tão natural quanto se eles já fossem velhos conhecidos do espectador. Locke certamente já os conhecia de antes e os chama pelo nome. Todo mundo questiona a respeito daquela história do rapto, e então Locke começa... um discurso! Diz que vai organizar uma busca e vai trazer os amigos de volta, exatamente como Desmond acabara de dizer a Hurley. Enquanto isso, o próprio Desmond está mais afastado na praia, jogando pedras na água, com uma expressão confusa. Hurley o encara de longe, intrigado por aquele diálogo que, agora ele percebe, era um delírio premonitório do "brotha".

- Muitas questões possíveis: Desmond adquiriu poderes divinatórios? Será que já os tinha latentes e o evento apenas os despertou? Se eram latentes, eram naturais ou implantes do Dharma (como eu sempre suponho)? Teria o incidente apenas perturbado muito a cabeça dele, sem dar poderes? Desmond poderia ser um agente infiltrado d'Os Outros ou da Hanso? Teria ele embarcado por alguns segundos numa "corrente alternativa de tempo" e retornado normal, com aquela única memória "fora do tempo" como acontecimento isolado? Ou será que Desmond vai começar a viver poucos minutos fora do tempo "comum" de todo mundo e se tornará um guia ou algo assim? Será que a conversa de Locke com Eko na mata não foi também resultado de perturbação causada pela implosão? Se pudermos continuar na teoria de que Desmond morreu (e só será visto no além, uma "outra vida"), alguém teria confirmado a frase do cara, tomou sua forma ou seu corpo, apareceria sem as roupas e ainda poderia vir com esses poderes como novidade. Que tal... o monstro de fumaça preta?

Aí vai a foto do pessoal da comunidade sendo preso - algo que não foi mostrado no episódio.


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Sobre o Santoro, comentário à parte que todo mundo (acho) pode ler na boa.

This picture is hosted by ImageShackFoi uma introdução de personagem feita de maneira muito sutil, sem necessidade (nem pretensão alguma!) de impacto ou brilhantismo. O brasileiro veio ajudar a responder àquela velha questão que muita gente vinha levantando desde o começo da série: "Mas não eram 48 sobreviventes? Cadê o resto?". E esses 48 vieram só na seção central do avião; os da frente morreram e os do fundão foram encontrados depois.

Desse grupo de sobreviventes, a conhecida panelinha central se formou, e a história desde o começo tem se focado nesses mais ou menos 15 fulanos, com uma eventual participação do pobre Arzt, que só apareceu pra virar fumaça. Rodrigo "Paulo" Santoro e a também estreante Nikki (assim como um certo Scott e um certo Steve) estavam entre os "outros outros", que eram tão outros que nem apareciam... Mas Locke os chama pelo nome, com a maior naturalidade.

Em sua primeira cena, Santoro está lá, resignado e jogadão ao lado de um coqueiro. Entra como um personagem totalmente secundário ou ainda menos, mas há uma tendência natural de que seu papel aumente. Afinal, a única razão para o personagem de Santoro ter sido incluído no foco principal é suprir a ausência dos heróis Jack, Sawyer, Sayid e Jin no acampamento. Talvez até Nikki venha cumprir as funções de heroína de Kate. Precisavam de novos personagens para servir de braço armado e movimentar um pouco o grupo da praia, que ficaria parado. Era o momento dos outros ilhados mostrarem o que podem fazer. Por outro lado, isso deve significar que, em janeiro, alguém(-ns) morre, senão a tela fica muito cheia.

Muita gente lá fora achou inapropriada essa falta de apresentação, mas será que precisava mesmo de alguma introdução formal? Há um certo vício nisso... Mostrar esse personagem como parte do grupo que já existia é um bom sinal, sem dúvida. Aliás, com mais duas brasileiras que fazem figuração no mesmo núcleo e que são virtualmente desconhecidas até dos próprios brasileiros, abre-se uma possibilidade ainda maior de se criar o grupinho lusófono que as duas vinham torcendo para que acontecesse. E isso pode significar ramificações Hanso-Dharma no Brasil! Sei lá se isso é uma boa coisa... Com brasileiros na história, quem sabe ficamos sabendo como tanta coisa misteriosa rola por ali, HAHA. Pf...

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Há poucos dias, teve um terremoto no Havaí. Lost é filmada no Havaí. Percebe a relação?

Fique tranqüilo, a relação não significou nada. Apesar dos 6,3 na escala Richter, o epicentro foi na ilha maior (chamada Hawai'i mesmo), e a série tem sua sede em O'ahu, que não é a maior, mas é o centro financeiro e político, onde estão localizados a capital Honolulu, a famosa praia de Waikiki, a base militar (e a baía) de Pearl Harbor e que, se não me engano, é a ilha menos atingida por vulcões (Kilauea e Mauna Loa estão na "Ilha Grande").

Quanto à equipe, não houve qualquer dano; e quanto ao material usado na série, apenas atrasos menores para filmar devido à falta de luz. Tudo e todos continuam rolando na boa.

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A colunista Kristin Veitch, do E! Online, descobriu uma coisinha ou outra sobre o futuro próximo da série. Nada realmente grande, só alguns desenvolvimentos menores e detalhes que saberemos em breve. Mas uma das coisas que ela diz não parece ser tão pequena assim.

This picture is hosted by ImageShackSegundo ela soube, Ben vai fazer uma revelação a Sawyer que pode mudar tudo o que sabemos a respeito da ilha.

Agora, lembra do que os produtores disseram a respeito da divisão de capítulos desta temporada? Eles querem deixar um gancho miseravelmente grande no fim dos seis capítulos iniciais e, com isso, deixar meio mundo roendo as bitucas dos dedos até janeiro, quando retomam. Aposto quanto quiserem que esse gancho é a tal revelação (se ela for verdadeira e a colunista ouviu direito, claro).