PopStöria

sábado, dezembro 23, 2006

Happy Festivus!

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(Imagem gentilmente cedida pelo roubada do Diburros, um excelente site de desenhistas nacionais)

Mesmo entre pausado e seriamente indeciso, o PopStöria não poderia deixar passar este 23 de dezembro em branco. Trata-se de um importante feriado pop, conforme as escrituras do profeta Frank Costanza.

Enquanto o Natal está aí para muitos e o Chanuká é comemorado por outros, felizmente existe "a Festivus for the rest of us". Plante seu poste de estimação no centro da sala e escolha um parceiro pra brigar até a morte. Não deixe o Festivus passar em branco!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Serial Frila:
Ressucitação com acidente cerebral

The Serial logo is hosted by ImageShackO texto com esse nome meio assustador aí em cima fala da recente ressurreição da série ER em termos de audiência. Um dos seriados mais longevos atualmente no ar acaba de ser redescoberto, mas por méritos um tanto duvidosos, podemos dizer. A coluna é mais curta que de costume - ainda bem.

A Serial Frila que você lê no link abaixo abre a comemoração de um ano da coluna, que acontece daqui a alguns dias. O primeiro passo, recém-completado, foi a migração de todos os textos anteriores para a sua própria casa. Basta conferir a coluna lateral no blog-irmão. O segundo passo é esta coluna sair com um intervalo bem menor em relação à última.

Caso o leitor encontre erros de português, de digitação ou de informação (nomes, fatos, dados...) nas tantas colunas anteriores, por favor envie um email assim que possível. Tanto as colunas quanto os posts do PopStöria estão aqui para prestar informação sempre no melhor formato possível - em língua de gente, sem as tradicionais grosserias com o português e as meras opiniões desinformadas que reinam por aí, sem apelações de miguxês desnecessário e tentando ocasionalmente o inglês correto. Apuração, pesquisa e embasamento são fundamentais por aqui, sem desculpas. Jornalismo diferente disso não seria jornalismo...

Leia aqui: Ressucitação com acidente cerebral.

Sorrisos amarelos

This picture is hosted by ImageShackMinha gente, convenhamos: The Simpsons é um desenho que já morreu, esqueceu de deitar e agora começa a feder com essa história de filme.

A série na TV vai de mal a muito pior. Já inclusive passou do ponto de não ser mais engraçada - começa mesmo a dar raiva assistir aos capítulos mais recentes, sempre por acaso, e perceber que Matt Groening simplesmente não soube quando parar e vem enterrando dia a dia um desenho que marcou época. Num mundo que já escancarou uma vertente muito mais pesada e inteligente do mesmo tipo de humor, com Family Guy ou South Park, entre outros, por que Groening ainda insiste em estender Os Simpsons até uma eventual vigésima temporada sem dispôr de conteúdo? Por que é que ninguém diz isso de uma vez por todas??

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Há pouco mais de uma semana, saiu o teaser do tal filme (se liga: teaser trailer não é trailer!), e você pode ler a respeito aqui. O que dá pra dizer é que ele só vale um sorrisinho mais amarelo que os personagens. A idéia do "2D é feio, mas vai ser assim mesmo!" é ótima, mas morre no próprio teaser. O Homer tomando cacete e mais cacete é o tipo da piada antiga demais, que já não funciona como poderia. Querem fazer o povo rir com pastelão de novo? A família Simpson hoje só empolga criancinha ou então quem está muito por fora de qualquer avanço em termos de humor politicamente incorreto. Ou quem sabe os interessados espectadores de Zorra Total...

Uma boa noção do que esperar desse filme está no fato de que há anos os produtores vêm afirmando que só fariam o filme quando achassem "um roteiro excelente e que valesse mesmo a pena", nas palavras deles. This picture is hosted by ImageShackSendo assim, se a tecnologia para produzir em 2D é praticamente a mesma desde mil novecentos e neanderthal, por que não lançaram esse filme lá pela quarta ou quinta temporada, quando as idéias dos caras fervilhavam de verdade - e o desenho era fantástico e tido como revolucionário? Se o que consideram inteligente hoje para esse roteiro seguir o caminho dos episódios atuais, então um abraço!

O filme até pode funcionar, claro. Mas só se, numa hipótese fanboy muito esperançosa, tiverem reunido todas as boas idéias dos últimos cinco anos (tempo aproximado em que a série vem sendo péssima) e jogado no tal "roteiro inteligente" de Groening. Não, talvez nem assim... A falta de timing tende a enterrar a coisa de qualquer maneira. Não são poucos os antigos fãs hardcore que já abandonaram o desenho pela absoluta falta de graça - só eu conheço uns quatro, sem contar comigo e sem contar os ocasionais.

This picture is hosted by ImageShackÉ duro ver neguinho desavisado que ainda fica entusiasmadíssimo com esse filme. Escrevem em fóruns cheios de elogios, a coisa vira notícia de jornal, falam a respeito como se fosse a maior maravilha do mundo... Certamente, são aqueles que não assistem nem a uma coisa (Simpsons de hoje) nem à outra (as animações adultas atuais, com muito mais substância). Continuam pensando que Bart e companhia ainda representam revolução.

Já foram há dez anos. Não são mais. Atualize-se.

Uma nova esperança para o ASCII

This picture is hosted by ImageShackUma das mais recentes edições da newsletter WindowsSecrets & LangaList (pois é, as duas agora são uma só) trouxe uma besteirinha pop bastante interessante. Chata pra diabo, mas ainda interessante.

Abaixo, traduzo e adapto o texto que veio na newsletter.

Simon Jansen, um programador da Nova Zelândia, deve ser um sujeito extrematupidamente(*) desocupado. Esse cara recriou todo o filme Star Wars - Episode IV: A New Hope em arte ASCII(**) animada. Não satisfeito, tornou a animação disponível em duas frentes. Você poderia baixá-la como um filminho em Java, do site dele, mas vai achar muito mais interessante assisti-la em uma janelinha de DOS no seu computador, via telnet(***). Isso para usuários de Windows; em outros sistemas, nem sei como funciona o protocolo telnet.

As instruções:

- Clique no botão "Iniciar" e escolha a opção "Executar".
- Digite cmd e dê OK ou ENTER.
- O prompt do DOS vai abrir e você pode ver uma linha de comando.
- Digite o seguinte: telnet towel.blinkenlights.nl
- Aguarde, a animação vai começar a rolar logo na telinha.

Segundo o autor, o filme não está terminado, mas já vale a pena pra umas risadas. Eu não posso atestar porque não passei dos três minutos de "projeção"...

Caso você use um firewall (e deveria), é necessário liberar o acesso à internet para o cliente telnet do seu Windows. Muitos firewalls vão pular um aviso na sua cara e perguntar o que você quer fazer. Diga sim para aquela sessão e tá feito.


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* extrematupidamente = demais mesmo muito com força and beyond.

** arte ASCII = desenho feito com os caracteres que você vê no seu teclado (maiúsculas, minúsculas, acentos, algarismos, sinais matemáticos, etc) e no mapa de caracteres do Windows (que traz muitos outros). Pode ser feita em 2D ou 3D. É bem complicadinha de fazer e é considerada uma das maiores formas de expressão nerd já inventadas. Veja mais a respeito na Wikipedia.

*** telnet = um dos primeiros protocolos criados para uso na Internet (ainda com maiúscula em 1969). Pra quem não sabe, o HTTP que vai antes de tudo quanto é página da internet que você conhece é um protocolo, que é diferente do protocolo de envio de email (SMTP), que é diferente do protocolo de recebimento de email (POP3), que é diferente do BitTorrent (torrent), que é diferente do telnet e de muitos outros. O telnet anda em franco desuso principalmente por não ser muito seguro nem muito amigável para o usuário comum. Veja mais a respeito na Wikipedia.

Alguém está lendo?

This picture is hosted by ImageShackJá é famosa a história de que o piloto da série Nobody's Watching foi recusado pelo canal WB, chegou ao YouTube quase um ano depois, virou um sucesso indiscutível - comprovando mais um erro colossal dos executivos de TV, que não são burros só no Brasil - e será acolhida a partir do ano que vem pelo mid-season da rede americana NBC.

O que nem todo mundo sabe é que, desde o começo de outubro, Derrick e Will, personagens centrais da futura série, mantêm um site oficial de Nobody's Watching, no qual vêm postando em vídeo suas paródias, seus comentários sacanas e demais impressões sobre a programação da TV. Esse site nasceu depois que o presidente da NBC anunciou cedo demais que a série seria produzida, quando os executivos ainda não tinham um consenso a respeito da encomenda de episódios. O acordo inicial foi então refeito e a produção ganhou sinal verde para criar webisódios, que ficam hospedados nesse novo endereço. Só recentemente é que a série foi divulgada como "em planejamento" para a TV.

Nobody's Watching fala de dois amigos de um fim-de-mundo de Ohio (os atores Taran Killam e Paul Campbell) que adoram ver TV desde pequenos e acham que a programação atual é a pior de todos os tempos. Eles então mandam um vídeo para todos os canais, dizendo que poderiam fazer séries muito melhores que as que estão no ar, e conseguem impressionar o pessoal da WB.This picture is hosted by ImageShack Acabam contratados para criar um novo programa -- mas tudo acontece de um jeito bem diferente do que eles pensavam, quando o próprio processo de criação se transforma na série. Dá pra entender um pouquinho melhor por que ela foi recusada, não? É o velho "explica, mas não justifica". A desculpa da WB foi a habitual: "não queremos abusar da estupidez dos americanos, que são incapazes de entender coisas do nível de Arrested Development e nos obrigam a cancelar tudo o que é realmente brilhante na TV para manter só o que for mais rasteiro".

A página inicial do site traz um blog com notícias verdadeiras (de participações dos dois em outras séries), notícias falsas (situações por que passam os amigos) e as novidades em termos dos webisódios propriamente ditos. Navegando no menu da direita, é possível assistir a todos os vídeos curtos já produzidos nesses quase dois meses. A última coluna Lostícias (veja aí ao lado) trouxe uma amostra: os dois amigos se preparam para assistir Lost, arrumam até umas fantasias para entrar no clima da série e... um deles se disfarça de Shannon. E é a Shannon!

O resto do site traz um álbum de fotos que parece realmente feito por dois moleques urbanos de Ohio, links para outras informações sobre a série (que não é tratada como série, claro, e sim como "a realidade") e até um fórum aberto a usuários registrados. Mas não deixe de ver o FAQ - que não traz questões freqüentes, não responde nada sobre Nobody's Watching e fala bem pouco sobre os próprios amigos. Mas... Uma amostra: "This is the fifth time I've asked this question. How often must a question be asked before it's considered a frequently asked question? Eight."

Quem não viu o tal piloto ainda pode assisti-lo em três partes no YouTube:
- aqui está a 1.
- aqui está a 2.
- e aqui está a 3.


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quinta-feira, novembro 23, 2006

The Prestige

This picture is hosted by ImageShackA versão para o Brasil se saiu com "O Grande Truque". Mas o aguardado filme The Prestige, que vinha empolgando todo mundo pela divulgação de um dos elencos mais interessantes dos últimos anos, deveria ter ganhado uma tradução ainda mais sofrível: "A Grande Decepção". Mesmo conduzido com extremo cuidado pelo diretor Christopher Nolan (de Memento e Batman Begins) e trazendo atuações entre corretíssimas e geniais de Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine, David Bowie e Scarlett Johansson, o roteiro de The Prestige, a cargo de Jonathan Nolan (irmão e usual colaborador do diretor), traz pelo menos duas questões que podem deixar o espectador acostumado a quadrinhos e séries de TV com vontade de pedir o ingresso de volta.

Exatamente por conta dessa decepção enorme com o filme, aviso ao leitor que ainda não assistiu que o texto abaixo contém spoilers sérios pra justificar a ilusão que virou desilusão. Avisado?

Pois bem, o leitor está familiarizado com o conceito de deus ex machina? Não tem absolutamente nada a ver com o que se diz por aí a respeito de "um fantasma dentro da máquina", "um defeito que ninguém sabe de onde vem" ou "encarnar uma pessoa em um computador". Esqueça essa besteirada toda. Deus ex machina é um nome técnico que se dá ao velho recurso de se introduzir um elemento estranho na história de maneira abrupta - geralmente, uma solução de caso ou um forte desvio proposital no foco. Um deus ex machina pode apenas ser uma continuação natural inesperada (como a aparição da escotilha de Lost, num episódio chamado justamente "Deus Ex Machina") ou uma ofensa frontal ao espectador-leitor, como nos casos de soluções "tiradas da manga", que aparecem sem mais nem menos e então "explicam" tudo (sem explicar) da maneira menos convincente possível.

This picture is hosted by ImageShackClichê surrado também é um conceito conhecido, certo? Não é necessário alongar neste ponto. Basta atentar para a relação de que alguns deus ex machina são clichês (como "... e era tudo um sonho" pra justificar fim de história), enquanto nem todo clichezão de filme representa necessariamente uma solução milagrosa (como o anti-herói bonzinho pegar a mocinha improvável no final).

Passemos ao filme. The Prestige abre com o assassinato do personagem de Jackman (o Grande Danton) e com a prisão do Professor, interpretado por Bale, acusado do crime. As cenas seguintes revelam que ambos começaram como colegas, aprendizes do veterano "mágico-engenheiro" vivido por Caine. Um dia, durante uma apresentação, um dos pupilos comete um sério deslize e cria com o outro uma rivalidade que se alongará por anos de jogo sujo dos dois lados. Os dois se profissionalizam, o antigo mestre passa a auxiliar um deles nos bastidores e a personagem de Johansson aparece mais tarde como uma assistente de palco.

O espectador vai acompanhando o imbróglio entre os agora rivais e a trama avança de modo incrível, num ritmo muito correto e envolvente. Com uma hora e meia de filme, é provavelmente das histórias mais interessantes que você já assistiu num cinema. A rivalidade se mostra cada vez mais intrincada sem precisar de muita complicação, e captura o espectador fácil e rapidamente por suas idas e vindas contadas de maneira enxuta. A direção extremamente precisa faz uso magistral da prerrogativa de escolha de um diretor: conta o que precisa ser contado de forma sumária e exclui convenientemente o que cabe excluir, sem se dobrar a mastigar tudo para o espectador.

Somando-se esse desenvolvimento às mencionadas atuações e à participação de Bowie no papel do cientista sérvio (vivendo nos EUA) Nikola Tesla - um dos maiores engenheiros elétricos de todos os tempos e verdadeiro inventor do rádio e de um monte de coisa a que não damos o devido crédito hoje -, tudo caminha para a certeza de um dos grandes filmes do ano, senão o melhor.

This picture is hosted by ImageShackÉ então que entram os dois elementos narrativos propostos no começo deste texto. O nome de Tesla é jogado na trama do filme quase por acaso, como uma palavra-chave, e assim ele entra no meio da briga. O inventor foi mesmo muito mais que um mágico; foi um verdadeiro bruxo em sua era (como dizem no decorrer do filme), ao manipular a natureza em graus então inconcebíveis. Bowie, estranho como de costume, passa muito bem essa impressão, com seu ar europeu, seu sotaque bizarro e sua seriedade e frieza frente às "infantis" necessidades dos meros mágicos de palco. Seu "Igor" pessoal, também muito estranho, é interpretado por Andy Serkis (digitalizado como o Gollum de Lord of The Rings e o próprio King Kong).

Tesla encerra o filme provando-se realmente o maior de todos, mas por um feito que nunca cometeu e que nunca funcionaria como "impressão que passou à História como fato", da forma como temos, por exemplo, em O Tigre e o Dragão e seu lutadores voadores. A intervenção do cientista finda justamente como o deus ex machina a que nos referimos: a criação de um típico elemento de ficção científica - daqueles que faz mesmo o impossível - em um filme que vinha bastante verossímil até então. O roteiro transforma o genial cientista em um verdadeiro super-herói, enquanto os mágicos são "apenas espertos".

Fica incômodo, então, esse desfecho sem sentido: se vale o irreal, então vale tudo. Cadê a graça? Não há dúvida de que o jogo de rivalidade entre Danton e o Professor é muito bem construído - a forma como um mágico engana o outro e leva o troco, e então cria novo ataque mais radical e toma uma resposta ainda mais extrema até que não se sabe mais quem vencerá e quais serão as novas conseqüências. Essa explicação para os atos finais de Danton é que nos leva a um novo mundo em que os números de ambos se tornam irrelevantes. Acaba se tornando irreal para o espectador, ao apelar para uma solução que fica muito difícil de engolir - sem falar que, se o espectador é também um leitor de quadrinhos e acompanha outros filmes do gênero, essa história de clones passa a ser um verdadeiro estorvo.

This picture is hosted by ImageShackVeja, por exemplo, uma comparação a Unbreakable (de M. Night Shyamalan), um dos grandes filmes de heróis de todos os tempos. Naquele filme, o que se comprova no final é exatamente o que vai sendo proposto durante todo o decorrer do filme - irreal, sim, porém não inesperado. A grande revelação sobre o herói vai sendo lentamente construída num universo à parte que se propõe desde o começo como tal, e o filme trata justamente de desvendar esse universo. Não é necessário enfiar um desfecho fantasioso à força pela goela do espectador. Ele apenas se comprova sem precisar negar todo o resto.

Não satisfeito com a saída um tanto pobre dos clones - torcendo a realidade como solução, e não como premissa -, o roteiro busca esclarecimento ainda mais rasteiro para o mistério do Professor, bastante típico dos piores novelões: a existência de um prosaico gêmeo não revelado. Quantas vezes já não se viu esse surradíssimo clichê em histórias que envolvem um mistério aparentemente insolúvel? Esse segundo deus ex machina na forma de explicação batida se mostra ainda mais decepcionante que o primeiro, acima de tudo porque era desnecessário. Ao longo do filme, chama-se tanto a atenção para a frase "Are you watching closely?" que o espectador mais atento consegue mesmo captar o que virá. Se não houvesse tanta insistência (só a menção), a frase e os acontecimentos causariam maior impacto. No caso em questão, preste atenção à fala do Professor com relação ao ator bêbado. Segundo ele diz, o tal ator nunca se mostra direito, entra e sai mudo e tem trejeitos diferentes dos de Danton. Enquanto isso, o próprio assistente do Professor obedece aos mesmos princípios, mas quem não revela isso é a câmera. É bem fácil perceber que eles são dublês. Mas resolver isso com gêmeos? Por que não algo menos óbvio?

A resposta está na estranha necessidade do roteirista de criar um longo tratado sobre a obsessão. O Professor, que se revela o melhor mágico e o aluno mais dedicado, usa a sua em prol do ofício, fingindo por uma vida da mesma maneira que o artista chinês. É ele quem "apela" para o truque natural do gêmeo. O outro ex-aluno, Angier / Danton, precisa de artifícios mais mundanos (como o truque artificial do clone) e se diz carente apenas das expressões de encanto do público. Vive em busca do fascínio, e não finge totalmente sua vida - tanto que é também bem fácil perceber que ele e Lord Caldlow serão a mesma pessoa. Sua obsessão acontece em âmbito pessoal, e não profissional. É a fim de elucidar essa diferença que o roteiro ultrapassa a realidade, com tal afinco que revela uma igual obsessão do próprio roteirista Nolan. Para satisfazê-la, o autor permite que ela tome o lugar da razão, quebra a barreira entre um artifício no enredo e um recurso artificial na construção e assim macula em definitivo o excepcional andamento da história.

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Até esse ponto, grande parte do filme carrega mágica autêntica, do tipo que ilude o espectador e o surpreende em tantos momentos. A prestidigitação acontece incansável, somos iludidos durante cenas e mais cenas nas quais cada fala pode ser um novo truque. A mágica também está na competência dos atores e do diretor, além de outras ótimas sacadas no correr da história, como a metáfora do canário morto e a sugestão de que o Professor e seu assistente enganam a todos desde sempre. Mas um bom mágico não revela seus segredos, e o roteirista preferiu revelá-los da pior maneira, ao apelar para uma enorme mentirinha em seu processo de criação.

Saiu-se um mágico barato com uma história sólida que desmanchou no ar. O roteiro de Jonathan Nolan talvez viesse a ser uma obra de arte a ser lembrada, se se mantivesse na máxima de Marshall Berman e na metáfora para o rompimento promovido pela modernidade - representado ali por Tesla e suas brincadeiras com a eletricidade -, apenas mostrando que todo truque, por mais encantador, tem um pé no real e/ou na ciência. Mas não no completamente irreal!

Se houve essa intenção (inclusive com a incipiente criação da ficção científica), ela ficou tão sutil que nem mesmo transparece. Ao precisar negar a realidade para provar a sua própria "nova realidade" usando a figura de Tesla, Nolan só conseguiu mesmo forçar demais nossa "suspensão da descrença", desmerecer os feitos de seus heróis mágicos e renegar boa parte de sua história nas duas horas anteriores. Entreteve durante, mas perdeu a chance de manter a platéia encantada após o espetáculo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Serial Frila:
F5 na TV (parte 3)

The Serial logo is hosted by ImageShackCom essa coluna, finalmente encerramos nossa cobertura das principais estréias recentes de séries de TV no Brasil e nos EUA. Foi tanta coisa que o encerramento desta terceira leva acabou virando uma coluna à parte só de futuras estréias, que será publicada em breve.

As últimas séries que trazemos são Shark, Courting Alex, The Unit, 30 Rock, Standoff, Top Chef, Dexter, Friday Night Lights, Day Break, Criminal Minds, American Inventor e Big Day, que ainda nem estreou. E é claro que, conforme avisado em todas as ocasiões, teve gente que ficou faltando! De cabeça, 20 Good Years e Happy Hour, por exemplo, que estão praticamente canceladas e nunca foram anunciadas por aqui mesmo...

Leia aqui: F5 na TV (parte 3).

O pentagrama d-invertido

This picture is hosted by ImageShackFazer chifrinho em show de metal?
Isso é tão 1985!
Aprenda a ser mais radical que a pivetada que emenda as mãos pra fazer chifrão duplo (-lmml-) e crie o seu próprio pentagrama d-invertido ®.

Fui a um show há pouco tempo e, no intervalo, acabei aprendendo o lance abaixo (truque? gesto? cumprimento? sinal?) com um sujeito que eu não conheço e nunca tinha visto. Diz o cara que aprendeu isso com moleques da Colômbia (pelo que eu lembro), que estiveram em Belo Horizonte para a gloriosa apresentação do Slayer.

Como tal conhecimento de extrema valia não pode ficar restrito, fiz o desenho abaixo para ilustrar a bagaça. Necessário lembrar que eu não levo jeito para rabiscos virtuais e que o desenho abaixo é original, ok?


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(- O pentagrama d-invertido não deve ser tentado por crianças acima de 18 anos)
(- "Pentagrama d-invertido" ® é marca registrada PopStöria)
(- Um pentagrama invertido é, na verdade, um sinal para proteção, e não uma invocação do demônio. Para fins cramulhônicos, consulte um grimório falso na biblioteca mais próxima da sua casa)

sábado, novembro 18, 2006

The Black Dahlia

This picture is hosted by ImageShackDescrições gerais em uma palavra são quase sempre injustas com um filme, sejam elas positivas ou negativas. Reduzem uma obra complexa a um termo que diz pouquíssimo, em nome de um simplismo que geralmente é fruto de pura preguiça do crítico. Mas, neste caso, não houve como fugir: The Black Dahlia pode ser muito bem qualificado como tedioso.

Como não pretendo repetir meio mundo, não vai ser necessário alongar muito essa resenha. A notícia já é velha, e a essas alturas já escreveram por aí muito do que eu escreveria. Todas as razões objetivas (existem outras?) descritas na maioria das resenhas pelo mundo seriam mantidas. A grande sensação em torno do filme - durante e depois - é a de um desenvolvimento extremamente chato e equivocado com um final razoável graças à história, e não àquelas duas horas que pareceram quase três.

Aliás, li tanta resenha que não lembro mais onde foi que alguém disse, em meio à destruição generalizada, que Scarlett Johansson e Josh Hartnett naquele contexto lembravam uma espécie de Bugsy Malone deturpado (no Brasil, o filme se chamou Quando As Metralhadoras Cospem). Puseram crianças interpretando adultos em papéis "de época", mas agora essas crianças não parecem "bonitinhas", e sim miseravelmente limitadas, quase risíveis.

Em se tratando de Brian De Palma, é de se presumir que haja também pequenos acertos. Talvez um aqui ou outro ali, mas o que prevalece mesmo é a impressão geral. Faz tempo que o diretor não constrói algo do porte de Carlito's Way ou The Untouchables, provavelmente seus últimos trabalhos de alta categoria.This picture is hosted by ImageShack This picture is hosted by ImageShack Mais importante: com o filme atual, o diretor não se redime da estrondosa bomba chamada Femme Fatale, cometida em 2002, cujo único grande atrativo sempre foi e sempre será a mera presença de Rebecca Romijn e mais nada.

Dentre os discutíveis méritos de Black Dahlia - a história, não necessariamente o filme - temos a inesperada correlação entre as obsessões pessoais de Lee Blanchard (o sempre correto Aaron Eckhart) e o caso do assassinato da "Dália Negra", apelido pelo qual ficou conhecida a atriz Elizabeth Short (interpretada por Mia Kirshner, de The L Word). Infelizmente, isso só acontece depois de inúmeras menções a nomes e eventos, joguinhos de sedução pra lá e pra cá, cortes aleatórios entre narrativas desencontradas, direção indecisa e um público fatalmente desinteressado depois de muito tempo à deriva.This picture is hosted by ImageShack O tal cruzamento das histórias deveria ser um momento crucial, mas serve apenas para que o espectador reerga o corpo da cadeira e se prepare para dormir direito em casa.

As atuações insossas do referido casal não ajudam mesmo, mas isso não é tudo. Temos ainda uma Hilary Swank bastante ruim. A inexplicável ganhadora de dois Oscar deveria se ater à sua aclamada interpretação de white trash com sotaque vagabundo, porque definitivamente não convence no papel da ricaça lésbica e louca. No restante do elenco, talvez se destaque apenas a mãe da personagem de Swank, vivida por Fiona Shaw (a Tia Petúnia dos filmes Harry Potter) - algo forçada, mas convincente em sua insanidade.

A tentativa de De Palma de montar o filme à moda antiga, com cortes de cena enquanto a ação ainda corre e as falas não terminaram, é um recurso simples que ajudaria a transportar o espectador. Só que mesmo esse quase-mérito tem sua falha: a ambientação desejada serve muito mais aos próprios filmes policiais antigos do que à época retratada na história. O espectador é, então, transportado, sim, mas não para dentro do universo de The Black Dahlia, e sim para outros filmes que, por sua vez, tentavam emular o espírito de obras anteriores. De Palma brinca perigosamente com essas sobreposições e até consegue emular bem, mas a troco de nada.

This picture is hosted by ImageShackHá um conteúdo riquíssimo na grande história de James Ellroy, e há essa interseção final das tramas, que tantas vezes pode representar a redenção de um filme que se pretende difícil. Mas De Palma não soube enxugar determinadas passagens que se esgotavam rápido - com especial atenção para a subtrama entre Johansson e Hartnett, um tanto óbvia ao público, ligeira em conteúdo e longa no resultado final -, enquanto outros trechos ficam confusos por simples falta de tempo dedicado a eles. Tudo bem que a maravilha Johansson encarna bem alguns estereótipos de atrizes antigas, com ar fatal e tudo. Mas isso funciona em still, não em movimento.

De Palma aparentemente buscou um duvidoso privilégio às "estrelinhas do momento", em detrimento da fluidez da história e de uma construção mais sólida de momentos pelos quais o espectador agradeceria. A cada vez que tentamos embarcar em um ritmo, bom ou ruim, o diretor muda a música. A certa altura, só resta desistir de dançar. E a festa se saiu esse tédio...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Histérica insolência

This picture is hosted by ImageShackHá algum tempo, sugeri no fim de uma Serial Frila que a faixa Hysteria, do Muse, serviria muito bem como abertura de uma série policial. E não é que agora essa mesma música aparece numa propaganda de perfume toda estilosa? Eu sei, parece nada a ver uma coisa com a outra, mas só parece: usaram justamente o pedaço que eu tinha em mente e de maneira também parecida, com câmeras lentas e fundo escuro.

O comercial em questão é do perfume Insolence, da marca Guerlain. A estrela do filme é a oscarizada (e normalmente feia pra diabo) Hilary Swank, num anúncio que, à parte a presença da música matadora só pra completar, ficou mesmo maravilhoso.

Eu não entendo chongas de perfume, nunca tinha ouvido falar dessa Guerlain e perfume é o tipo do produto que não me move em qualquer grau. Mas os bons comerciais de TV nesse segmento andam cumprindo magistralmente sua função de chamar a atenção (a minha, pelo menos). Por que não fazem mais desses, ao invés daquele lixo ultra-repetitivo de Mercado Livre ou "Filhão-assinei-banda-larga"??



quinta-feira, novembro 16, 2006

Da série "camisetas que ainda teremos"

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O sujeito acima é um inexpressivo diretor de filmes independentes que ganhou seus 15 minutos há algum tempo usando essa camiseta que ele mesmo fez.

This picture is hosted by ImageShackTem todo um caso envolvendo o cara, essa camiseta, o estranho casal Bodhi e Jenna Elfman (ela, da série Dharma & Greg, do filme Keeping The Faith e do recente fracasso televisivo Courting Alex) e uma ligeira briguinha de rua entre um desconhecido querendo atenção (acima) e dois loucos fanáticos religiosos (ao lado), mas nem vale a pena contar. Nosso foco é mesmo a camiseta - esqueça os envolvidos e ela permanece.

Considerando 1) a "mensagem", 2) a aparência do tal Bodhi aí ao lado e seu tamanho comparado à (enorme) esposa, 3) a insistência com que essa pseudo-religião é sempre apontada como disfarce para casais "no armário" que protegem uns aos outros (entre closeteds, beards e afins), 4) toda a insanidade que é normalmente associada a essa seita de celebridades (com indícios de verdade em cada uma) e 5) que o tal Roecker já tinha sido agredido verbalmente na rua por freaks completos como Juliette Lewis ou Lisa Marie Presley, fala a verdade:

não é motivo suficiente pra querer uma camiseta dessas?

A história veio do TMZ e eu só vi esses dias.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Lostícias 11

O episódio que fecha essa primeira parte da terceira temporada (a ser retomada só em fevereiro) se chama "I Do" (é o "aceito" do casamento). É centrado em Kate, e mais uma vez os flashbacks refletem um bocado do que acontece no "lostiverso".

Como é tudo cheio de spoiler, vamos mais uma vez facilitar dificultar a sua vida e criar a Grande Mancha Preta (R) entre duas imagens centralizadas. Após o sinal, você sabe o que fazer...

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- Pra começar, a anuência do título fala do casamento de Kate e, ao mesmo tempo, da consumação da relação com Sawyer na prisão dos Outros.

- Kate vestida de "frágil mocinha" e com música dos anos 60 tocando? Bom, deve ser essa a idéia que ela tem de "nova vida". A música é Slowly, cantada por Ann Margret, que é mais conhecida como atriz, mas também gravou um bocado de coisa. A letra diz "Come on and squeeze me again, but this time slowly / 'Cause I like your grasp but it mustn't fast" ("Vem e me aperta de novo, mas agora mais devagar, porque eu gosto da sua pegada, mas não pode ser tão rápida"). É basicamente o que Kate gostaria de dizer a Sawyer, como vemos no decorrer do episódio. Acaba não dizendo, mas faz. É curioso que todas as músicas significativas de Lost até agora (fora da trilha original) foram cantadas por mulheres e são antigas, já notou?

- De números, parece que só temos um "752" na porta ao lado do quarto de hotel de Kate. Se há nisso algum significado, ainda não saquei. Só dá pra dizer que é divisível por 4, 8 e 16.

- Kate se casa de verdade, por amor e ainda por cima com um policial. Arrumou o nome falso de Monica, e seu marido se chama Kevin. Mas ela disse uma vez que o camarada que deu a ela o aviãozinho foi "o único homem que ela amou de verdade". O cara morreu. Logo, esse casamento dela "por amor" é bem suspeito. Durante o casamento, o padre cita uma frase do noivo, a respeito de MoniKate: "What you see is what you get". Não poderia estar mais longe da verdade...

- Falando em verdade, talvez seja um dos episódios de Lost com menos simbolismos e abertura a interpretações. Como tinha de ter um desfecho previamente calculado como "extra-ganchudo", acredito que resolveram contar a história de modo mais literal para chegar nos finalmentes altos e claros. "What you see is what you get", pode ser até uma forma de encarar o episódio - se não tiver algum significado posterior, como começarmos a destruir teorias e encarar mais de frente algumas ocorrências da(s) ilha(s).

- Alex protagoniza mais uma ceninha de rebelião. Ela diz a Kate que mataram seu namorado (aquele garoto que ajudou Sawyer a fugir) e que agora vão matar Sawyer também. Diz ainda que não é pra acreditar em nada do que os Outros dizem. Continuo tendo minhas dúvidas a respeito dessas cenas. Se o lance dos Outros é jogo mental, isso facilmente poderia fazer parte. Afinal, a cada momento, alguém diz que é pra esse não confiar naquele, e aquele no próximo, e por aí.

- O contraponto entre Kate pondo o capuz e o corte para ela vestida com o véu de noiva foi bem interessante. E Kate vestida de noiva, rapaz...

- O reencontro de Kate e Jack lembra dois animaizinhos em cativeiro se conhecendo, não? Se olhando com certa curiosidade, um "sacando" o outro com uma divisória no meio. Me pergunto o que poderia ter acontecido se não houvesse a divisória. E... cobaias não é o que eles são ali? Com a diferença de que já se conheciam. De volta à sua jaula original, "a fêmea cruza com o outro macho". A bem da verdade e seguindo o raciocínio acima, Kate foi praticamente empurrada para Sawyer a partir daquela impressão de Ben lá no primeiro capítulo.

- No que Kate e Sawyer vêm "trabalhando" esse tempo todo? Ela só diz que não sabe, "mas é algo grande". Não me lembro de alguém ter mencionado exatamente o que eles fazem (pode ser só uma forma de os Outros passarem o tempo dos prisioneiros), mas acho mesmo que isso não foi esclarecido.

- Por que Kate ligaria para o agente do FBI que a está procurando? O que ela queria com isso? Acredito que todo mundo notou que o agente Edward Mars é o mesmo que a levava no avião e, literalmente, morreu na praia.

- Bom, o envolvimento agora foi mais sincero. Das duas partes. Se a escolha de Kate por Sawyer é definitiva, ninguém sabe (nada em Lost é), mas que eles fizeram sexo por pura vontade dos dois, isso foi. Teria sido só carência dela, e ela na verdade gosta é de Jack? O machão Sawyer ainda admitiu espontaneamente que a ama também, meio que retribuindo do capítulo quatro, em que ela "confessa" enquanto ele está sendo espancado. Dominic Monaghan não deve ter ficado nada feliz com esse episódio, hehe. Primeiro, ela está nua na cama com Nathan Fillion; depois, nua na jaula com Sawyer.

- Fillion, aliás, tem toda a cara de que vai aparecer de novo algum dia, assim como Penny Widmore, a noiva de Sayid, a filha de Sawyer, o irmão de Charlie e outros casos pendentes.

- O intercomunicador misterioso na cela de Jack dá sinais de vida mais uma vez. Ele tenta alguma comunicação e uma voz feminina misteriosa (suspeita-se de que seja Alex) sugere que ele tente abrir a porta. Quase de imediato, Jack tem acesso à cabine de comando de Ben, mas não há ninguém à vista. E o que o cara descobre num armário é um arsenal pronto pra ser usado. Num dos monitores, Jack fica sabendo sobre Kate e Sawyer em primeira mão - e sua expressão é de incredulidade, não tenha dúvida. Mas Ben aparece e Jack o informa assim mesmo que vai operá-lo. Seria de se supôr que ele iria querer punir Sawyer e não fazer operação nenhuma, mas isso não acontece. E ele consegue de Ben o "acordo de Michael": fará a cirurgia e Ben então o põe pra fora da ilha.

- Kate faz um teste de gravidez e chora por não estar grávida. Por que seria? Não dá pra ver se era da mesma marca Widmore, do teste que Sun faz na ilha, mas a caixa também tem uma borda roxa.

- As duas passagens da Oceanic eram para a Costa Rica. Qual a relação com Sydney ou Los Angeles nessa? Talvez seja uma dica de que a interseção de Kate nesse episódio não era com nenhum outro sobrevivente, mas um primeiro contato com a companhia aérea. Pode ser uma pista para que a consideremos uma "personagem" importante, também.

- No cajado de Eko, Locke vê escrito "Lift up your eyes and look North". É uma passagem bíblica no livro de Gênesis (13:14), que diz "Levante seus olhos e olhe para o norte" - ao norte de quê, acho que ninguém sabe ainda. Logo abaixo, há a inscrição "John 3:05". Seria outra referência sem qualquer relação com a primeira, mas ambas estão escritas quase junto. Sendo assim, John poderia ser John Locke, mas o "3:05" ainda vai ficar pra próxima (a não ser o fato de que a soma é 8...). Locke é um cara supersticioso (e, na ilha, parece que isso faz o maior sentido do mundo) e provavelmente vai interpretar isso como algum sinal - que vai se mostrar correto, pode apostar.

- Antes da cirurgia, Ben quer saber se Alex perguntou por ele. Que diabos? Será que Ben é pai da filha de Rousseau?? Faz tempo de que eu suspeito de que Rousseau está completamente maluca, aliás, e acredita mesmo em tudo o que diz, ainda que quase nada daquilo seja verdade. Mas isso é teoria para outra hora.

- Foi citado um Jacob, quando Tom (o "capataz" dos Outros) fala numa "Jacob's list" (possivelmente, a lista de nomes a serem capturados). Jacob pode bem ser o Homem do Tapa-Olho. O personagem bíblico Jacó era um homem conhecido por sua dedicação ao estudo e seus modos reclusos. Foi também o único a quem Deus teria atribuído um sentimento de verdadeiro amor por outra pessoa. Jacó sofreu com o ódio de seu irmão, Esaú (especula-se que Alvar Hanso tenha um "bad twin"), e com a perda de sua esposa preferida (coisas da Bíblia), que se chamava Raquel. O resumo de sua vida é geralmente centrado nas muitas dificuldades por que passou e que o levaram mais próximo à divindade. Tudo isso pode ser indicativo de um monte de teoria furada, então deixa quieto por enquanto. A única curiosidade besta interessante é que a tradução literal do nome "Jacó", vinda do hebraico, é "calcanhar". Será que o Homem do Tapa-Olho vive dentro do pezão da estátua?? :)

- O olhar de Ben quando Jack deixa claro a Kate que não vai haver operação é de satisfação, como quem pensa "Fascinante!". Se ele estivesse mesmo doente, ficaria fulo da vida ou desesperado; mas se está só conduzindo uma experiência de joguinho mental, é exatamente essa a cara que ele faria... Quando ele era Henry, já se sujeitou a situações piores do que uma cirurgia controlada e ainda conseguiu se sair por cima. Parece que o cara está disposto a qualquer negócio em nome de seu grande experimento. Dá pra duvidar de que ele tenha mesmo o tumor - e Jack, afinal, nem mesmo alcançou o tumor. Foi direto para a sua tentativa de fuga.

- Durante a cirurgia, que ia bem, Jack faz tudo "errado". Não cumpre sua parte do acordo com Ben nem faz o que Juliet sugeriu nos cartazes. Em vez disso, o cara pega pesado, danifica um rim de Ben e, a partir daí, tem nas suas mãos a sua vida, a de Ben, a de Sawyer e a de Kate (pelo rádio de Tom). O grande gancho para a próxima etapa é que Kate não pode fugir porque eles estão em outra ilha e Jack não sabe; Sawyer ainda está para ser executado (juro que, mesmo sabendo que não, achei que ele ia pro saco); e Ben... Ninguém sabe o que vai ser dele e do médico.

- Pra ser sincero, a deixa final do episódio anterior (Locke ouvindo de Eko que será o próximo a morrer) foi muito mais porrada. Mas o gancho de agora realmente deixa um montão de possibilidades...


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This picture is hosted by ImageShackHá poucos dias, no podcast oficial de Lost, que é apresentado pelos dois cabeças da série (mais oficial que isso, impossível), tivemos algumas revelações interessantes. É claro que ninguém ali vai vazar nada bombástico sobre o futuro, as teorias ou coisa assim, mas foram comentários importantes a respeito do que já passou e que foi deixado no ar e daquilo que podemos esperar de forma geral. Recentemente, também tem havido mais disponibilidade de informações em entrevistas e, enquanto nada é tão decisivo assim, muitas curiosidades já podem ser apontadas.

Cabe aqui, portanto, um alerta de spoiler a quem não está acompanhando a série pela internet.

De novo: habemus spoiler! Ok?

Então vamos, item por item, aproveitando partes de entrevistas e outras declarações, lembrando que o que está abaixo é oficial, com conclusões não-oficiais em seguida:

- A ex-namorada de Sawyer "muito provavelmente" não estava mentindo (palavras deles). A bebê Clementine existe mesmo, é filha de Sawyer e tem boas chances até de reaparecer em novos flashbacks. Comentário losticioso: como um dos episódios mais recentes foi focado no larápio e ele ainda deve ter flashbacks, é de se supôr que não vá morrer tão cedo.

- Kate ama Sawyer de verdade. Comentário losticioso: isso pode causar algumas complicações futuras, até porque ninguém sabe se a recíproca é verdadeira... O episódio acima meio que comprova, mas Sawyer é um grande sacana.

This picture is hosted by ImageShack- Há grandes chances de que um dos personagens que já conhecemos seja gay. Comentário losticioso: sei lá qual o impacto disso na história, mas, se soltaram como revelação, deve ter algum. Ana-Lucia era a aposta praticamente geral (como em qualquer papel de Michelle Rodriguez, aliás), mas disseram que a revelação vale pro futuro. E, sobre a policial, deixaram claro em outras entrevistas que sua personagem era definitivamente heterossexual. Vejamos, então... Nada prova nada por aqui, mas Jack era casado, pulou a cerca com outra e e está, sim, atraído por Juliet; Sawyer pira com a Kate trocando de roupa; Hurley gostou de verdade de Libby; Sayid quer rever sua noiva mais que tudo e atacou a Shannon sem piedade; Jin é casado com Sun (mas vai saber...); Charlie parece mesmo que é doido com Claire; Desmond sonha com Penny. Dentre os principais, sobram Locke (tinha sua namorada, mas era um velho solteirão amável que mantinha aquelas fantasias malucas por telefone), Ben (o jeitão empertigado dele revelaria muito, mas há o caso da tensão com Juliet) e Paulo, que ainda não se revelou namorado de Nikki (e é brasileiro, ou seja, "exótico" aos olhos gringos). E Michael ainda pode reaparecer. Se até o Jack de Will & Grace tinha um filho...

- O amante de Sun, Jae Lee, pulou da janela. Ele não foi morto por outra pessoa. Comentário losticioso: sua morte aconteceu por conta daquelas coisas de honra que os orientais (perdão pela generalização) costumam carregar.

- O "Turbine Man" - aquele cara que foi sugado pela turbina nos primeiros momentos da série - era realmente o autor Gary Troup, o cara que escreveu Bad Twin como uma alegoria da Hanso e com propósitos acusatórios. Comentário losticioso: é bom lembrar que Troup era também uma das maiores autoridades mundiais em Enzo Valenzetti e na Equação Valenzetti, e sobre eles chegou a escrever um outro livro que foi "confiscado" pela Hanso.

- (Comentário losticioso: Não lembro quando aconteceu isso, mas) os produtores revelaram que o obscuro personagem Scott, que deve ter aparecido de verdade umas duas vezes, está morto. Só que ele era tão obscuro que os atores que interpretam Scott e Steve já até discutiram a respeito de qual era o papel de cada um. Nem eles mesmos sabiam direito qual era qual e quem morreu!

- Há grandes chances de Danny Pickett (o "Outro" do nariz remendado) ficar obcecado por uma vingança contra Sun, que matou sua companheira Colleen. Comentário losticioso: até agora, os Outros estranhamente nunca reagiram com violência aos eventuais ataques dos sobreviventes, apesar de poderem fazê-lo. Existe aquele clima de "tudo pelo bem da nossa experiência" (qualquer que seja ela e presumindo que haja uma experiência em andamento), como cientistas abnegados fariam.

This picture is hosted by ImageShack- Futuros flashbacks incluem Juliet (Not in Portland, com Ethan), Hurley (Tricia Tanaka is Dead, incluindo Dave), os Outros (como um todo, e situados em sua vila!), Locke (no qual será revelado por que ele foi para a cadeira de rodas), Paulo e Nikki (provavelmente com parte em separado e parte em conjunto, já na ilha, fazendo sabe-se lá o quê), Jack (com a origem das tatuagens; por que essas tatuagens parecem tão importantes pra tanta gente??) e Desmond (aprofundando na questão dos dejà-vus), entre outros.

- O cara de tapa-olho não é o falecido Radzinsky, que está mesmo confirmado como morto. Mas é provável que o olho de vidro encontrado pelos "tailies" na estação do outro lado da ilha seja dele. Ele não apenas vai reaparecer em breve como terá um papel importante nos capítulos que virão. Comentário losticioso: Radzinsky era o cara que ficava na estação Swan com Inman até algum tempo antes de Desmond chegar à ilha de barco. "Sabe aquela mancha no teto? Aquilo era Radzinsky."

- Será revelado o que aconteceu com a aeromoça Cindy. Tanto ela quanto Libby vão mesmo reaparecer em flashbacks de outros personagens.

- Há mais "tailies", ou seja, sobreviventes da parte de trás do avião. Comentário losticioso: não se sabe ainda se esses mencionados são os raptados do grupo de Eko, Ana-Lucia e afins ou se é um novo grupo de personagens desconhecidos pra nós. Apostaria na primeira hipótese.

- E, por último, a história de Michael e Walt não está oficialmente encerrada, mas ainda não será abordada nesta temporada. O que aconteceu a Locke, Eko e Desmond logo depois da implosão da escotilha (que pode não ter sido uma implosão!) será revelado. Também saberemos o destino das crianças raptadas. O fato de a ilha ter sido "revelada" ao mundo exterior terá sérias conseqüências nos próximos capítulos. Pelo menos duas reviravoltas gigantescas se darão nos capítulos de fevereiro. Uma está relacionada à história e outra a um personagem. O fato de a segunda ilha estar a apenas uma hora do local do acidente (como indicado a Goodwin) será explicado, e tudo indica que o acampamento maltrapilho e a vila civilizada ficam bem distantes um do outro. E o mais esquisito de tudo: Eko pode reaparecer, e não necessariamente em um flashback! Comentário losticioso: é bom relembrar que essas são palavras dos criadores da série, ou seja, informações oficialíssimas. O lance da implosão que pode não ter sido implosão foi mais ou menos abordado nos nossos comentários do episódio três. Muita coisa estranha ficou pendente ali. O fato de Michael ter encontrado o acampamento maltrapilho e os prisioneiros agora estarem na ilha vizinha já prova que são dois lugares diferentes. Resta saber onde fica a vila civilizada, um terceiro local. A grande bomba relacionada à história, creio eu, teria a ver com a ilha ter sido revelada; quanto ao personagem, eu diria que das duas, uma: ou alguém vai se revelar como não sendo quem acreditamos que é (Desmond é um provável candidato), ou teremos uma espécie de "traição involuntária", em que alguém sabia de alguma coisa, mas não sabia que sabia e vai se lembrar. Não me pergunte por que eu digo isso... Intuição, talvez...

***

This picture is hosted by ImageShackExatamente ao contrário do noticiado como verdade por um grande site de séries nacional, os novos personagens Paulo e Nikki foram e estão sendo muito mal-recebidos pelos espectadores em geral. Não "venceram" pesquisa alguma e vêm sendo criticados, sem razão, em tudo quanto é fórum decente lá de fora - os daqui nem vale a pena seguir, claro. Aparece cada um com a "brilhante teoria" de que "a soma dos números dá 108" pra cá, outros gênios concluem "Uau! Aquela língua que falaram na neve é português!" pra lá...

This picture is hosted by ImageShackNosso posicionamento é o seguinte: os dois nem apareceram direito! Deixa eles serem alguém primeiro e depois veja se gosta ou não, pô! A gente só pode opinar (e informar) sobre o que conhece...

Se estão criando essa óbvia aura de engraçadinho-chato pro Santoro agora no começo, tudo pode muito bem ser um "joguinho" pra que não gostem dele agora e ele consiga redenção como um herói ali adiante. Ou seja, daquele mato ainda sai coelho. Quantas vezes isso já não aconteceu em Lost, caramba?? E a Nikki já deu sinais (a ninguém menos que Locke) de que pode ser pelo menos uma cabeça útil...

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Lembra do piloto de Nobody's Watching, que foi recusado por ser "muito complicado", virou mega-hit (iargh! Eu disse isso?) na internet e que vai virar série de verdade em futuro próximo?

Falaremos mais a respeito dele em breve (incluindo a próxima coluna Serial Frila), mas, por enquanto, vamos a um vídeo hilário que os dois protagonistas, auto-proclamados grandes entendedores de TV como eu e você, fizeram para homenagear o culto a Lost, com direito a cosplay e a um bordão de Arrested Development, pros iniciados:



Sim, o cara se veste de Shannon e... é uma participação especial da própria, numa excelente imitação de homem! Freakin' awesome, dude!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Famoso Quem??
::Jane Lynch

Logo dos desconhecidos is hosted by ImageShack

This picture is hosted by ImageShackA multitarefa Jane Lynch (perfil IMDB) tem uma das carreiras mais extensas que eu já vi em termos de participação especial em séries de TV. É impressionante como essa mulher, com o currículo que tem, consegue se manter uma não-celebridade, e ainda por cima por opção. Certamente, você que acompanha séries de TV já a viu como a corretora que vendeu a casa nova de Chandler e Monica em Friends; ou a ocasional terapeuta de Charlie em Two And a Half Men; ou a raramente presente mãe de Pacey em Dawson's Creek; ou a advogada braba (cujo nome dizia "wishin' ya") em The L Word; ou a grande fornecedora misteriosa "Candyman" de Weeds; ou a enfermeira que atende Richard no hospital lá na primeira temporada de Gilmore Girls; ou a professora universitária que ajudou a heroína de Felicity; ou a agente do FBI apaixonada por George Sr. em Arrested Development; ou a dona-de-casa hardcore que mantinha a escrava chinesa (antes de Gaby) em Desperate Housewives...

Não dá pra continuar lembrando todas as suas sempre ótimas participações em séries uma por uma. Basta dizer que Veronica Mars, CSI, Las Vegas, Monk, NYPD Blue, According to Jim, The X Files, NewsRadio, 7th Heaven, The King of Queens, Family Law, Boston Public, The West Wing, Popular, Dharma & Greg, Frasier, Caroline in the City, 3rd Rock from the Sun, Cybill, Party of Five e até Married with Children já receberam a atriz em algum momento, entre muitas outras!

Lynch deve ser uma figura fascinante. Além de alta pra caramba (1,83m sem salto!), ela canta, toca violão, escreve roteiros e peças, é comediante de palco e ativista pelos direitos gays. Desenvolta, já interpretou muito bem da mocinha indefesa à lésbica "butch" (aquele tipo que você mal diz que é mulher).This picture is hosted by ImageShack A propósito, a atriz já fez um belo monte de personagens homossexuais no teatro, no cinema e na TV, mas parece que há um certo tabu em afirmar categoricamente que ela seja lésbica - muito embora isso não faça diferença alguma. O jeitão de "responsável" e de quem está sempre no comando é o que geralmente a leva a interpretar executivas e profissionais sérias, da advogada mais empedernida à traficante mais cara-de-pau. Mas sempre com a aura de "let's talk business", em personagens de extremo profissionalismo.

Também no cinema Jane Lynch andou aparecendo bastante. Com o grupo de loucos que criou o Spinal Tap, ela já esteve nos filmes Best in Show e A Mighty Wind, ambos hilariantes. The 40 Year Old Virgin, Collateral Damage e The Fugitive também contaram com sua participação. Em The Aviator, a atriz interpretaria ninguém menos que a intrépida aviadora Amelia Earhart, famosa por seu pioneirismo, mas o papel foi cortado na edição final.

A carreira de Lynch está a pleno vapor. Os brasileiros poderão vê-la em breve, por exemplo, como a mãe de Will Ferrell em Talladega Nights ou na terceira temporada de Boston Legal. Ou ainda como uma das investigadoras na transição de temporadas de Criminal Minds e, se algum dia estrear por aqui, na nova série de Ted Danson (que parece ser bem bacana), chamada Help Me Help You.

terça-feira, novembro 07, 2006

Serial Frila:
F5 na TV (parte 2)

The Serial logo is hosted by ImageShackA quantidade de estréias nas TVs americana e brasileira é tanta que a segunda coluna já está no ar e uma terceira vem aí! Mais uma vez, ficam de fora os "retornos" de quem você já conhece, mas com uma palhinha no final, como na coluna anterior.

Agora, as séries retratadas são Studio 60 on The Sunset Strip, Brothers and Sisters, Vanished, Smith, Men in Trees, Kidnapped, How I Met Your Mother, The Knights of Prosperity, What About Brian, Six Degrees, Help Me Help You e Windfall. Faltam por volta de umas dez mais!

Leia aqui: F5 na TV (parte 2).

Mulher gata

This picture is hosted by ImageShackEm um dia de agosto de 2006, o popstörico blogueiro em questão escreveu:

"Eu, por minha conta, continuo firmando um pensamento positivo de que podem escolher Jessica Biel pra ser a Mulher-Gato numa outra seqüência (ou a Hera Venenosa, serve também). Alta, atlética, forte pra diabo, corpaço (convenhamos, é necessário à personagem), um pouco mais nova que Christian Bale (23 a 31) e, claro, alguns degraus acima de maravilhosa. Não é lá uma grande atriz, mas sabe, sim, atuar decentemente e não comprometeria o filme como alguma iniciante hypada.".

Eis que a mesma divindade mencionada naquele post aparece vestida de Mulher-Gato (atenção às botas) há uns dois ou três dias, nos bastidores do filme I Now Pronounce You Chuck and Larry (aquele em que os bombeiros Adam Sandler e Kevin James fingem ser um casal gay).

É pena que ela usou um roupão pra esconder a maravilha completa que ela é, mas a má notícia pode ir além disso, eu acho. Depois que ela aparecer assim nesse filme, as chances de vir a ser escolhida mesmo para viver uma Mulher-Gato fantástica num futuro filme do Batman diminuem consideravelmente, creio eu. Ninguém vai querer associar uma coisa à outra...


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